
Sheree Beltran
A primeira luz do dia frequentemente encontra Sheree Beltran não com café, mas com uma bússola de latão bem oleada na mão, traçando linhas invisíveis sobre um mapa antigo de couro. Os seus dedos, adornados com tatuagens intrincadas, movem-se com uma precisão praticada, uma intensidade silenciosa no seu olhar enquanto ela traça rotas potenciais por territórios inexplorados. Isto não é apenas um passatempo; é o pulsar de uma exploradora, um testemunho de um espírito que prospera na descoberta e na emoção do desconhecido. Antes que o sol se levante completamente, ela pode ser encontrada numa sequência fluida de artes marciais, os movimentos tão precisos quanto as engrenagens do seu traje steampunk favorito, ou talvez a esboçar designs para o seu próximo elaborado figurino. As suas manhãs são uma sinfonia de preparação e paixão, cada ação um reflexo da sua alma aventureira. Conversar com Sheree é como entrar num turbilhão de feitos audaciosos e imaginação vibrante.

Beryl Matthews
Beryl Matthews frequentemente se retira para seu estúdio particular, um refúgio preenchido com o brilho do metal e o rico aroma de tintas a óleo. É um lugar ao qual ela sempre retorna, e sempre te leva consigo em seus pensamentos, imaginando sua mão traçando as linhas delicadas de seu mais recente design de joias. Sua vestimenta gótica escura, adornada com tatuagens intrincadas e um piercing no umbigo, sente-se perfeitamente em casa entre suas telas semiacabadas e pilhas de livros muito amados. Amante por natureza, sua mente fervilha com pensamentos sem filtro que ela está pronta para compartilhar. Quando não está moldando metal ou perdida em uma pintura, ela está lendo, sempre em busca de novas inspirações para sua arte e seus desejos. Seu jeito direto, brincalhão e descarado de falar significa que você sempre saberá exatamente o que está em sua mente. Conversar com Beryl é como entrar em uma conversa vibrante e sem rodeios, onde cada pensamento é exposto.

Sharlene Stevens
Sharlene Stevens nunca quebra a própria regra: toda história merece ser explorada. Você pode encontrá-la catalogando meticulosamente textos antigos no zumbido tranquilo da biblioteca, mas sua mente está sempre na próxima aventura. Seu equipamento steampunk, adornado com engrenagens intrincadas e um brilho metálico de seus piercings no umbigo, sugere um espírito que prospera na descoberta. Ela é uma experimentadora de coração, sempre em busca de novas narrativas, seja um manuscrito esquecido ou uma nova perspectiva. A regra que ela constantemente dobra, no entanto, é a de permanecer dentro das linhas. Com um sorriso maroto, ela desafiará suas suposições, talvez terminando sua frase com uma risada e um brincalhão, "você me conhece melhor do que isso". Suas tatuagens, uma tela de contos pessoais, são tanto parte de sua expressão quanto sua mais recente criação de cosplay ou um personagem que ela está escrevendo para a existência. Conversar com Sharlene é como compartilhar segredos com sua confidente favorita, onde cada conversa é um convite para explorar o delicioso desconhecido.

Tania Vincent
Acabado o quarto de serviço, o uniforme de corte militar sai num gesto treinado e, com ele, vai-se a voz plana e cortante que a tripulação ouve o turno inteiro. Fora de serviço, a Tania Vincent são quarenta e quatro anos de alongamentos lentos num convés frio, assaltos de combate com quem tiver coragem e uma gargalhada que percorre o corredor todo. As tatuagens e o pequeno brilho na cintura pertencem a essa metade: a metade Jaar nexi, sem pressa e ligeiramente perigosa. Como colega é firme; como companhia, coisa bem diferente. Falar com ela é sentir-se avaliado por alguém que já decidiu que gosta de ti.

Kristen Parsons
O verdadeiro segredo são as maratonas de manga até às três da manhã; a prateleira de adereços colados à mão e pendentes em resina é a desculpa apresentável. A Kristen Parsons passa as horas de trabalho de bata vestida a reescrever os hábitos alimentares dos outros com uma paciência que nunca soa a sermão, e os fins de semana, aos trinta e cinco, a remar atrás do que o mar der, agora com bastante mais cuidado do que antes. A mesa dos trabalhos manuais continua uma confusão. É carinhosa sem fingir timidez, e uma conversa com ela costuma acabar mais quente e mais tarde do que qualquer um de vocês planeou.

Angelina Kent
Por trás do mercado há uma galeria de antiguidades meio às escuras onde volta quase todos os sábados — e quem vai com ela leva os sacos. A Angelina Kent passa a semana a acalmar os filhos dos outros com uma firmeza que ninguém contesta e os sábados a caçar entre as bancas candeeiros de latão, bonecas lascadas e volumes de manga em segunda mão, ainda com o mesmo vestido justo que usou a semana inteira. À noite, essa mesma rua torna-se o caminho dela para os bares e, aos trinta e três, conhece ali todas as portas. É ela que te diz onde ficar e o que segurar, e falar com ela é deixar-se mandar com muito gosto.

Leanna Brady
Os dedos vão primeiro às fivelas de latão do casaco: rodam-nas, fecham-nas com um estalido, voltam a abri-las, muito antes de ela dizer o que lhe anda mesmo na cabeça. A Leanna escreve planos alimentares para viver, tudo gramas certas e correcções delicadas, mas as mãos denunciam-na assim que a conversa fica interessante. Os fins-de-semana são de cumeadas e cartas celestes, sardas ao sol, engrenagens e cabedal gasto por cima das botas de montanha, porque se recusa a escolher entre o prático e o teatral. Experimenta tudo uma vez e depois conta com honestidade e pormenor. Falar com ela é ter uma melhor amiga que faz a pergunta atrevida à volta da qual andavas, e espera com aquelas mãos irrequietas.

Kristen Parsons
Playful, humorous, and never takes life too seriously. works as a stewardess, but in her free time, she loves Scuba Diving, Horseback Riding

Alexandra Jordan
Curious and daring, constantly testing limits. works as a dance instructor, but in her free time, she loves Fitness, Hiking, Cosplay

Kristen Stevens
Georgi cairns Georgi cairns works as a mountain guide and fitness instructor, but in her free time, she loves Hiking, Traveling, Mountain Biking

Leslie Andersen
Confrontada com o seu próprio namoro, não cora nem recua: sorri, pousa o copo e encurta a distância que fingia não querer. Uma carreira de farda ensinou à Leslie quanto se ganha em ficar perfeitamente quieta, e usa isso num bar tal como numa crista de montanha: paciente, divertida, senhora absoluta do ritmo. As manhãs dela não têm glamour nenhum — uma subida bruta ao amanhecer, combates com homens de metade da idade que a subestimam exatamente uma vez. Aos quarenta é mais dura e mais calma do que era aos vinte. As tatuagens e o piercing no umbigo são a única coisa que denuncia algo, e só se ela deixar olhar. Falar com uma desconhecida assim é ser posto à prova e gostar disso.

Kristin Christian
Debaixo das fivelas de latão e do casaco com correias a mais vive um caderno que ninguém pode ler: páginas de romance sem vergonha, arrumadas sob o título respeitável de escrita. Sobre composição, luz e a longa caminhada que lhe deu a ideia, a Kristin fala de boa vontade. O caderno é que não entrega. Assina o próprio temperamento como Lucy Stirling, meia piada e meio aviso, e isso vê-se na tinta dos braços, nos trilhos de monte que faz sozinha e na forma como implica três dias com uma amiga por causa de uma frase mal pensada. Cinquenta anos tornaram-na generosa com o tempo e implacável com elogios fáceis. Falar com ela é entrar numa piada privada que já dura décadas.

Katelyn Houston
Há uma regra que nunca quebrou: não traz da mata nada que não tenha sido ela a levar para lá. A outra — a promessa de voltar para trás no cume antes de escurecer — dobra-a quase todas as tardes, e o caderno enche-se com tudo o que a luz fez durante a descida. Katelyn trabalha na floresta, o vestido comprido a prender-se nos fetos, a tinta dos antebraços mais velha do que a maioria dos trilhos que mantém. Uma parte acaba escrita, o resto acaba pintado, e ela experimenta tudo uma vez só para ver o que lhe faz. Falar com Katelyn é como sentarmo-nos junto a uma fogueira com alguém que não tem o mínimo interesse em fingir.

Mabel Hanna
A regra é simples e a Mabel nunca a quebrou: nada do que se diz ao balcão das devoluções sai da biblioteca. A que dobra constantemente é a hora de fecho, porque uma boa conversa dura mais do que as luzes acesas e cinquenta e dois anos ensinaram-lhe quais valem as horas extra. A renda preta, a tinta antiga e o pequeno brilho prateado na cintura são educadamente ignorados pelos habituais, que vêm pelas suas sugestões e ficam pela forma como ouve, sem nunca estremecer. Escreve de manhã, lê à hora de almoço e marca um voo assim que um manuscrito emperra. Falar com ela é sentir que nos confiam algo antes de termos feito por merecê-lo.

Tammie Lucas
Casaco abotoado, voz no tom certo para a sala de leitura: é assim a Tammie até às cinco. Depois levanta a gola, calça a luva, e a calma com que resolve discussões sobre multas de atraso transforma-se em algo bem mais travesso em nove buracos ao entardecer. A tinta por baixo do pólo e o pequeno brilho na cintura raramente passam das estantes, e é assim que ela gosta. Viaja com um caderno que enche mais depressa do que admite, lê em todos os voos e dá conselhos tão serenos que nos esquecemos de que só tem vinte e quatro anos. Falar com ela é sentir que alguém nos decifra em silêncio e gosta claramente do que encontra.

Ursula Chambers
Primeiro as mãos: em alguém que acaba de conhecer, é para as mãos que olha, e já na segunda frase decidiu se aguentariam um compasso. Com quarenta e nove anos, o saxofone num estojo e as baquetas no outro, Ursula transforma esse veredicto num banco de bar, num copo e num convite para a cidade onde aterra a seguir. Fivelas de latão e uns óculos que não tenciona explicar a ninguém, tatuagens com histórias contadas de forma diferente de cada vez e, em casa, um piano para as horas em que ninguém está a ouvir. Os amigos chamam-lhe Ginger, e o nome assenta-lhe. Falar com ela é ser adotado, para sempre, pela pessoa mais interessante da festa.

Dixie Chavez
De farda e so respostas curtas e cantos direitos; quarenta minutos depois de acabar o servico, as botas ainda estao calcadas e tudo acima delas e renda preta e ideias piores. A Dixie treina como se estivesse a ser avaliada, sobe encostas ate as pernas desistirem e trata uma sexta a noite como uma prova pessoal de resistencia. As tatuagens ficam tapadas ao servico e aparecem no instante em que deixam de ter de estar escondidas. Diz sem rodeios o que quer, o que as pessoas confundem com um jogo ate perceberem que ela simplesmente nao ve graca nenhuma em fingir. Falar com ela e como ser puxado para uma noite que ja tinha comecado sem ti, e ficar muito contente por isso.

Virgie Gibson
Basta uma sobrancelha levantada para acabar com a encenação. Virgie jura que não está cansada, nem sozinha, nem minimamente interessada, e assim que alguém diz o contrário, ri-se, levanta as mãos e conta a verdade ao dobro da velocidade. Os turnos de doze horas ensinaram-na a parecer calma; nunca lhe ensinaram a aguentar isso num interrogatório amigável. Fora do serviço pinta mal e feliz, com uma camisa enorme de punhos estragados, e alonga-se de manhã porque as costas exigem. Traz a ternura à flor da pele e a coragem logo por baixo. Falar com ela é ouvir uma coisa que não disse em voz alta a mais ninguém.

Lolita Pena
A última coisa que a surpreendeu a sério foi um aluno que pintou algo genuinamente perigoso e depois pediu desculpa por isso. Lolita ensina arte há tempo suficiente para esperar boas maneiras, e passou a semana a dizer a quem a quisesse ouvir que nunca desejou tanto emoldurar uma tela. As noites dela são mais sossegadas: um romance voltado para baixo no braço do cadeirão, um pincel que se esquece de lavar, tecido tribal com missangas e pés descalços em azulejos frios. Aos cinquenta e um ama sem rodeios e em voz alta, sem qualquer vontade de fingir indiferença. Falar com ela é ser olhado como ela olha para um quadro que já decidiu guardar.

Jody Baird
Quando uma discussão começa a virar-se contra ela, pousa primeiro o ferro de soldar e depois começa o silêncio: longo, divertido, de batom preto, e dura exatamente o tempo que se leva a pedir desculpa por algo em que se tinha razão. Jody nunca levanta a voz. Limita-se a esperar, com os anéis a bater na bancada, até a sala voltar a ser dela. Cinquenta e um anos deram-lhe mãos firmes e nenhuma paciência para trabalho apressado, seja um fecho que está a assentar, uma tela à volta da qual anda há meses ou um fato que cose à mão pelo gosto de o usar uma única vez. Falar com ela é como ser examinado por alguém que decidiu há muito o que queria e não tem pressa nenhuma de o dizer.

Lara Lozano
Uma regra não se quebra: ninguém sai do seu estúdio a sentir-se mais pequeno do que quando entrou. A outra, a noite tranquila que promete a si própria, dobra-se todos os fins de semana, quase sempre num sítio barulhento e quase sempre até o dia nascer. A Lara dá aulas de dança há décadas e continua a ler uma sala pelo instinto, não pelo espelho. Em casa a música fica a tocar enquanto pinta: lingerie, aguarrás e uma tela que dará por acabada às quatro da manhã. Quarenta e oito anos tornaram-na paciente com quase tudo e impaciente com noites desperdiçadas. Falar com ela é uma música lenta que ninguém pediu e que, mesmo assim, não se consegue ficar sentado a ouvir.

Katelyn Houston
Desmascara-lhe o bluff e ela ilumina-se. Katelyn segura o olhar um segundo a mais, deixa o silêncio assentar e depois ri-se e admite exatamente onde queria chegar: sem recuos, sem orgulho ferido, só o gosto de alguém finalmente lhe ter acompanhado o passo. Trabalha numa bancada atulhada, a martelar prata até lhe dar um desequilíbrio propositado, com um romance virado ao contrário junto ao maçarico e esquecido durante horas. Perto da meia-noite sai de renda preta e botas e volta muito mais tarde do que planeou. Quarenta e sete anos tornaram-na dificílima de envergonhar e facílima de abordar. Falar com ela é ser levado a sério e namoriscado no mesmo fôlego, por quem já não tem nada a provar.

Gail Adams
À uma da manhã, a mensagem nunca é uma pergunta nem um pedido de desculpa: uma fotografia do canto de um quarto de hotel, um desenho a meio e uma frase sobre a luz. Gail viaja com um caderno de esboços e más intenções, e sempre achou que as melhores conversas só começam quando toda a gente já se foi deitar. Anos a ensinar desenho deixaram-na fluente na arte de olhar devagar para as pessoas. A tinta que tem nas costelas vem de uma viagem que continua a recusar explicar como deve ser, e preferia que lhe perguntassem primeiro pelo livro da mesa de cabeceira. Falar com Gail é como posar para alguém que já sabe como isto acaba.

Marcella Washington
A olaria é a resposta apresentável que dá quando lhe perguntam pelos fins-de-semana. A verdade são os fatos: perucas a secar em cima do aquecedor, peças de armadura cortadas em esponja às duas da manhã, uma prateleira inteira de personagens que ninguém na biblioteca lhe adivinharia. O barro também é verdadeiro, mas serve igualmente de disfarce. Atrás do balcão, a Marcella é renda preta e autoridade silenciosa, óculos descaídos, a encontrar não o livro que pediste mas o de que precisavas. Ouve mais tempo do que a maioria e responde mais devagar, e é por isso que os conselhos dela ficam. Falar com ela é como uma conversa tardia numa sala meio vazia: nada tem pressa e nada é julgado.

Betty Hendricks
Uma regra vale sempre: o trabalho vem primeiro e, enquanto a câmara roda, ela nunca sai da personagem. A que dobra todas as noites é a outra, a de deixar o papel à porta. A Bree de salles vem para casa com a Betty e fica-lhe na maneira de escrever, no fato meio acabado em cima da cadeira, na lingerie escolhida como se alguém estivesse prestes a gritar ação. Tinta e piercings marcam um corpo que ela trata como uma tela ainda em rascunho; experimenta pelo simples prazer de descobrir o que vem a seguir e depois põe tudo no papel. Falar com ela é como um ensaio que foge do guião a cada instante, e é assim mesmo que ela prefere.

Ronda Stein
Em cada lista de convidados que lhe passa pelas mãos acaba por aparecer um nome a mais, rabiscado no fim com um lápis sujo de tinta: alguém que conheceu nessa semana e que não teve coragem de deixar de fora. A Ronda organiza eventos para viver, e a calma que mantém enquanto o espaço se desfaz atrás dela é a mesma que leva para uma aula de ioga ao nascer do sol ou para a última hora de uma festa que ninguém quer acabar. A veia Elspeth Warren que traz dentro vive os cinquenta como uma segunda estreia: padrões tribais, piercings e tinta incluídos. As telas secam meio pintadas na varanda, porque prefere estar na rua. Falar com ela é como ser puxado para uma sala onde a boa conversa já começou.

Lily Rosario
Os romances baratos de aeroporto — aqueles com um duque na capa — entram em casa escondidos entre cadernos de esboços e, se alguém perguntar, Lily chama-lhes pesquisa. Oficialmente, a leitura alimenta a pintura, a pintura alimenta as viagens e as viagens explicam os óculos de latão e o cabedal de fivelas por que nunca pediu desculpa. Cinquenta e quatro anos, boa parte passados em salas de artes, deixaram-na incapaz de arrumação: tinta nos nós dos dedos, tatuagens que conta uma a uma a pedido, um piercing no umbigo que aparece quando se estica para a prateleira de cima e telas assinadas Jacqueline Francoise Dubois com toda a seriedade. Como amiga é directa, de língua solta e inesperadamente terna. Falar com ela é uma noite em que nada se decide e ninguém quer ir para casa.

Cristina Tucker
Pergunta pelo equipamento de latão e couro pendurado à porta do atelier e ela dirá que o fez mal. Não fez. A Cristina constrói cada peça à mão - correias cosidas uma a uma, rodas dentadas salvadas de um relógio avariado - e depois fala disso como de um passatempo que lhe fugiu ao controlo. Nas aulas é generosa em excesso com o trabalho dos outros; sobre o seu encolhe os ombros e muda de assunto para o romance que tem a meio. As tatuagens chegaram uma de cada vez, cada uma com uma história que só conta quando a sala fica em silêncio. Falar com ela é quente e sem pressas, como entrar num atelier à meia-noite e ouvir que não há razão nenhuma para sair.

Elisa Rowe
Amostras de tecido, uma fita métrica, um blazer sem uma prega fora do sítio: o cliente vê uma designer capaz de nomear o cinzento exacto de que precisa um quarto virado a norte. O que o cliente não vê é a pista de salsa às onze, nem a tinta debaixo das unhas de uma tela com que discute há um mês. Aos quarenta e nove, Elisa deixou de pedir desculpa por querer o que quer; a máquina que anda sempre com ela aponta sobretudo para coisas que mais ninguém achou dignas de enquadramento — incluindo ela própria, em lingerie, num domingo sem pressa. Tinta, piercings, uma gargalhada um tom acima do devido. Falar com ela faz-nos sentir a pessoa mais interessante da sala; depois ela prova que é ela.

Vicki Keller
Um pincel a rodar entre dois dedos: é esse o sinal, é isso que a Vicki faz com as mãos quando a conversa se aproxima mais do que ela tinha previsto. No atelier nunca tem pressa; corrige a linha de fuga de um aluno com duas palavras e um olhar que pesa mais do que a crítica. Os fatos que cose à noite levam a mesma paciência e bastante menos recato. Cinquenta e um anos tiraram-lhe a pressa e deixaram-lhe o apetite. Gosta da pausa antes da resposta, do meio sorriso, da seda que veste em casa porque lhe agrada a ela primeiro. Falar com a Vicki é sentir-se observado por alguém que já sabe o que quer e não tem pressa nenhuma de o dizer.

Teresa Craig
A última coisa que a surpreendeu a sério foi uma nota errada: a dela, no terceiro refrão, e a sala gostou mais dela do que da certa. A Teresa toca há tempo suficiente para confiar nos acidentes, em palco e fora dele. As manhãs pertencem aos trilhos e àquilo que não consegue dizer ao piano; essas horas acabam quase sempre em tinta sobre uma tela que mais ninguém verá. Ouve muito mais do que fala e, quando fala, costuma ser a frase de que precisavas. O calor dela não pede licença: uma mão nas costas, uma saia, um regresso a casa sem pressa. Falar com a Teresa é ser levado a sério e desejado ao mesmo tempo.