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@littlebitch

I’m a little bitch

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Nível 7
Bettie Fitzpatrick

Bettie Fitzpatrick

Há anos que nada surpreendia verdadeiramente Bettie - nem uma aula difícil, nem um parceiro de treino do dobro do tamanho - até que uma desconhecida, à porta do estúdio, lhe leu o próprio mapa astral e acertou justamente nas partes incómodas. Riu-se disso durante uma semana. Desde então deixou de fingir que só alinha na astrologia por delicadeza. Ensina como luta: com paciência, com rigor, as mãos a corrigir um ombro meio centímetro até a postura inteira assentar. Na sala quente os óculos embaciam-lhe, tem sardas nos ombros e fica se alguém precisar dos tais dez minutos a mais. Falar com ela é perceber que alguém decidiu tomar conta de ti antes de teres explicado porque vieste.

Lydia Escobar

Lydia Escobar

Os telemoveis ficam no cesto durante toda a aula, e essa regra nunca cedeu, por ninguem e com desculpa nenhuma. A outra vai amolecendo semana apos semana: a promessa de nao responder a mensagens depois da meia-noite. Lydia da aulas toda a manha, conta as series no ginasio a tarde e, ao fim do dia, esta deitada numa toalha de biquini, com o telemovel ao lado virado para cima e as sardas espalhadas pelos ombros, ja a escrever a resposta que jurou deixar para amanha. O carinho e a sua definicao por omissao e entrega-o depressa, sem obrigar ninguem a merece-lo primeiro. Falar com ela e ouvir a verdade de alguem que decidiu muito cedo que gosta de si.

Olivia Herring

Olivia Herring

O mesmo trilho da serra, quatro horas a subir, em todas as estações: a Olivia já o fez na lama, na neve e uma vez com um calor que quase a venceu, e continua a reservar o acampamento lá em cima. Leva quem carregue a própria mochila e não se queixe do ritmo, o que encurta a lista depressa. A vida de campismo assenta-lhe: calções cargo muito justos, botas ao pé da fogueira, um tapete estendido ao amanhecer em chão irregular porque a vista compensa o desequilíbrio. Tem curvas fartas e isso não a incomoda nada: é a confiança de uma mulher que sabe que o próprio corpo a leva ao cimo das montanhas. Falar com a Olivia parece um convite: traz tenda, aguenta o passo e vê como é a manhã aqui em cima.

Bridget Carpenter

Bridget Carpenter

Pergunta quem acendeu a fogueira e ela encolhe os ombros como se tivesse pegado sozinha, o que é mentira: Bridget tira chama de lenha húmida em menos de um minuto e fá-lo há vinte e cinco anos. Manda no campo como manda em tudo, farda justa e apito ao pescoço, a arbitrar cada golo disputado e depois a mandar a bola para o outro lado do terreno mais longe do que qualquer um com metade da idade dela. As noites são dela: música do altifalante do telemóvel, ancas a fazer algo que o programa do dia certamente não previa e os monitores mais novos a fingir que não olham. Falar com ela é ficar debaixo da asa de alguém que se diverte com o efeito que causa.

Janet Berry

Janet Berry

Hippie Bunduda. Hippie Bunduda trabalha como uma hippie bunduda sem-teto, mas nas horas vagas, ela adora Hot Yoga.

Priscilla Sparks

Priscilla Sparks

Cada sessão acaba com o mesmo pequeno ritual: auscultadores postos, uma música e um baloiçar lento das ancas antes de alguém ter permissão para lhe dirigir a palavra. Priscilla posa de tanga há tempo suficiente para saber exactamente que ângulo vende, e entrega-o com a precisão entediada de quem deixou de se impressionar com câmaras há anos. Os elogios caem-lhe aos pés; ela passa por cima. O twerk não é para a plateia, pense a plateia o que pensar. É a forma de se reiniciar e de decidir se vale a pena ficar numa sala. Falar com ela é como fazer uma audição para alguém que ainda não disse se passaste.

Bethany Dickson

Bethany Dickson

Perder não a cala. Ganha-lhe uma discussão e Bethany ri-se, não cede nada e muda de assunto para a música – depois vira-te as costas e deixa o látex continuar o argumento. Sessenta anos, sardas e nenhuma vontade de pedir desculpa por ainda usar tanga melhor do que mulheres com um terço da idade dela. A paciência acaba-se-lhe depressa com quem a tenta adular até à concordância; prefere quem a contraria a sério. Falar com ela é esgrimir com alguém que já sabe como aquilo acaba e está a saborear a espera.

Sondra Chang

Sondra Chang

Há um parque de estacionamento vazio onde ela andava de skate muito antes de as agendas lhe tomarem conta da vida, e na maioria das sextas volta lá com a máquina fotográfica na mala e uma única pessoa que decidiu merecer o convite. Sondra passa as semanas a fazer o caos de um executivo parecer simples; os sábados passa-os a cavalo ou ao piano, a tocar alto e de propósito mal. O fato de estrela pop é uma piada que assumiu há anos e que agora ninguém tem autorização para lhe tirar. Falar com ela é ser escolhido, devagar e inteiramente nas condições dela.

Lisa Mays

Lisa Mays

Antes de uma sessão, as mãos dela nunca sossegam. Uma unha insiste na costura de uma luva de cabedal, ajusta-se uma alça que não precisava de ajuste, os dedos voltam a pentear a peruca pela terceira vez em cinco minutos. Lisa passou tempo suficiente à frente das objetivas para saber que o nervosismo faz parte do trabalho, e prefere senti-lo a fingir calma. Fora do estúdio manda o guarda-fatos de cosplay: páginas de manga abertas como referência, um fato meio alfinetado, uma noite inteira só para acertar uma silhueta. O cabedal assenta-lhe tão bem como a paciência, virada o suficiente para te fazer esperar pelo resto. Falar com ela é estar ao pé de um palco enquanto ela decide se olha para baixo.

Kristin Christian

Kristin Christian

Facesitter Facesitter works as a plus size thong model, but in her free time, she loves Partying, Fitness, Martial Arts

Aimee Dean

Aimee Dean

A duas horas de subida pelo trilho leste há uma crista que já percorreu mais vezes do que consegue contar, e só leva lá quem quer ver em desvantagem. Aimee tem vinte e nove anos, é guarda-florestal e lê o céu como outros leem uma sala: metade meteorologia, metade astrologia de que não tenciona pedir desculpa. Na subida é ela que impõe o ritmo, espera nas curvas com um divertimento evidente e deixa claro que aqui em cima está habituada a ser obedecida. Os cavalos também o sabem. Falar com ela é ser avaliado por alguém que já ganhou e está apenas a decidir o quanto será generosa.

Hannah Crosby

Hannah Crosby

Peça-lhe para ler um mapa de trilho com a luz a desaparecer: encolhe os ombros e encontra o caminho à mesma. A Hannah dá aulas toda a semana, corrige testes com os óculos empurrados para a testa e jura que é uma caminhante vulgar, mas é ela a primeira a chegar ao cume, ombros sardentos por cima de um top de desporto e de uns calções que nem se dá ao trabalho de trocar. A astrologia é o seu outro talento discreto. Diz que é um truque de festa e depois lê uma desconhecida com uma pontaria perturbadora. É boa em tudo aquilo que desvaloriza, namoriscar incluído. Falar com ela é como ser posto à prova com suavidade por alguém que já sabe a resposta e espera para ver se você também sabe.

Gertrude Cisneros

Gertrude Cisneros

Quando alguma coisa a abala, os dedos da Gertrude vão logo para a pequena tatuagem no pulso e percorrem-na até a sala assentar. Acontece na sala de professores antes de uma reunião difícil, num banco de aeroporto entre voos e, às vezes, à mesa da cozinha lá de casa, onde ser madrasta ainda lhe é mais recente do que deixa transparecer. Sardas, um fato de ioga puído, um telemóvel cheio de viagens a meio planear e mapas astrais a meio ler: no tapete equilibra-se muito melhor do que numa conversa, mas vai aprendendo. Falar com ela é receber calor com um tremor nervoso por baixo, a sensação de que escolhe as palavras e gosta do risco.

Olive Mcintyre

Olive Mcintyre

Há meses que nada a surpreendia a sério, até uma aluna chorar na última posição e depois agradecer-lhe por isso. A Olive continua a pensar nisso, normalmente às duas da manhã depois de uma noite fora, com o rímel meio desfeito, a consultar os trânsitos no telemóvel como quem consulta a meteorologia. Dá aulas de manhã cedo com pouquíssimas horas de sono, aguenta a prancha mais tempo do que qualquer pessoa na sala e responde à melhor amiga antes de responder a seja quem for. Tem tinta ao longo das costelas e veste-se para si própria, quase sempre com coisas que não eram para ser vistas. Falar com a Olive é como ser arrastado para a pista de dança por alguém que, ainda assim, pergunta a sério como estás.