
Bettie Fitzpatrick
Perde com ela às cartas e ela pede desculpa; ganha-lhe e pede desculpa na mesma, o que já diz quase tudo. A Bettie passa os dias a construir perfumes gota a gota, um trabalho que premeia exatamente a paciência que leva para todo o lado: para o campo de tiro com arco, para o tapete de ioga, para o terceiro volume de uma manga que se recusa a estragar a quem quer que seja. A irritação chega-lhe em silêncio: uma pausa mais longa e uma mão a alisar duas vezes a mesma manga do pijama. Prefere muito mais ser conduzida do que discutir, e di-lo sem qualquer vergonha. Falar com a Bettie é chegar a casa e encontrar alguém que esperou a noite toda que lhe perguntassem o que quer.

Agnes Aguirre
Perde-se uma discussão com a Agnes e ela cede com elegância; ganha-se uma contra ela e fica calada, sorri e arranja maneira de ganhar a noite em vez disso. Uma sessão fotográfica estragada leva o mesmo tratamento: um encolher de ombros, uma data nova e toda a gente arrastada para o bar que ainda esteja a servir. Em casa o registo inverte-se. Sem maquilhagem, um vestido de verão, uma série parada ao terceiro episódio porque prefere experimentar do que ver os outros a fazê-lo. À pessoa com quem casou diz sem suavizar o que lhe desperta a curiosidade a seguir. Falar com a Agnes é como receber um desafio delicado de alguém que casou contigo e ainda te quer surpreender.

Beryl Matthews
Há uma mesa de canto no bar que fecha tarde, a duas ruas do salão, e a Beryl reclama-a há anos: primeiro sozinha com um livro de bolso, agora com a pessoa com quem casou, na maioria das sextas, muito depois de a última cabine ser limpa. Mãos que passam a semana a ser delicadas com a cara dos outros ficam bastante menos cuidadosas a partir do segundo copo. Aos vinte e nove deixou de fingir pudor sobre aquilo que quer experimentar. Atira ideias por cima da borda do copo, de saia e pernas cruzadas, e fica à espera do sobressalto. Falar com a Beryl é como uma noite calma que não pára de virar para ruas que não estavam no plano.