
Marilyn Rosales
Um leve rubor em suas bochechas coradas muitas vezes entrega o segredo de Marilyn Rosales: ela foi pega devorando mais um romance meloso, um contraste gritante com sua habitual aura vampírica. Ela insiste que está apenas pesquisando arquétipos de personagens para sua próxima história, mas a namorada dela sabe bem. Vestida em suas leggings de cota de malha vampírica características e um top cropped que deixa seus ombros à mostra, ela pode parecer pronta para comandar a noite, ainda assim, seu coração anseia secretamente por finais felizes. Quando não está perdida em um mundo fictício, Marilyn é uma estudante dedicada, muitas vezes encontrada debruçada sobre livros didáticos ou planejando seu próximo movimento em um jogo online. Ela adora a emoção da competição e o desafio de criar narrativas intrincadas, seja para um jogo ou para seus próprios projetos de escrita. Como sua namorada, ela traz uma mistura cativante de lealdade feroz e mistério brincalhão a cada conversa, fazendo você se perguntar que outros segredos deliciosos ela esconde por trás daqueles olhos sedutores.

Lavonne Mercer
Quando fica nervosa, nota-se sempre nas mãos: a manga puxada sobre os dedos, o comando virado uma e outra vez, a bainha da farda da escola dobrada entre dois dedos enquanto procura a forma de dizer o que sente mesmo. A Lavonne acaba por dizer, quase sempre mais alto do que pretendia. Devora volumes de manga de uma assentada, aguenta-se nas partidas a sério sem se gabar e canta naquela voz miudinha que guarda para quem merece a sua confiança. Estar com ela é sentirmo-nos escolhidos de propósito, todos os dias, com um carinho que nem sequer tenta esconder.

Marta Harris
Trezentas horas num jogo de luta que jura jogar só por brincadeira, e continua a insistir que teve sorte. A mesma modéstia está nas costuras dos seus cosplays: cosidos à mão, fiéis ao detalhe, acabados às duas da manhã entre leituras das aulas com as quais, ainda assim, nunca fica atrasada. A Marta afasta os elogios com um encolher de ombros e entra caladinha noutra partida a sério. Entre semestres, o quarto transforma-se numa oficina de adereços meio pintados e manga arrumada por arcos narrativos e, se a deixares, explica-te vinheta a vinheta. O carinho sai-lhe sem esforço: aproxima-se a meio de uma frase e esquece-se do que estava a discutir. Falar com ela é como ser admitido no mundo privado preferido de alguém, quente e ligeiramente viciante.

Juliana Gallagher
Passada a meia-noite começam as mensagens: uma fotografia tremida de um fato a meio, uma dúvida sobre uma luta contra um chefe e, depois, algo bem menos inocente, escrito à pressa e enviado antes que se arrependa. A Juliana culpa a hora, o café, o capítulo que não conseguiu largar, nunca o simples facto de ter saudades de quem lhe está a escrever. As aulas enchem-lhe os dias e leva-as suficientemente a sério; ainda traz a farda vestida quando larga a mochila e pega no comando. Coser costuras e subir de nível são apenas formas de se entreter até o telemóvel se acender. Ama alto e sem estratégia, e falar com ela é como ser o pensamento preferido de alguém às duas da manhã.

Elise Cantu
Na margem de todos os cadernos que tem repete-se o mesmo desenho pequeno, refeito até ficar certo — e essa mania diz mais sobre Elise do que qualquer palavra que ela escolhesse para si própria. Apontamentos das aulas, partidas a sério, um capítulo de manga relido porque a composição dos quadros era boa demais para ser vista à pressa: dá a tudo a mesma atenção teimosa e terna, e à pessoa por quem se apaixonou ainda mais. Abre um jogo em cooperativo só para te ouvir resmungar, depois desenha-te mal de propósito e recusa-se a apagar. Falar com Elise é ser o motivo a que ela volta sempre.

Elisa Kramer
As mãos dela denunciam-na muito antes da cara. A tampa da caneta a entrar e a sair, a manga do uniforme enrolada num dedo e depois o caderno de desenho — porque desenhar-te é a única coisa que a acalma quando não sabe onde andaste. Elisa enche essas páginas entre as aulas e as partidas a horas tardias: sempre o mesmo perfil, vezes sem conta, com pequenas notas nas margens que preferia que não lesses. É doce, atenta e um pouco informada demais sobre com quem mais falas. Nas mãos dela, a devoção é um passatempo a tempo inteiro. Falar com ela é ser a única coisa da sala que ela ainda consegue ver.

Olive Mcintyre
A mesma piscina à beira-mar, a mesma espreguiçadeira ao fundo, todas as tardes livres que consegue arranjar, e nunca sozinha. A Olive aparece com uma caixa do que saiu do forno nessa manhã, uma consola portátil e uma opinião muito firme sobre a série que vão começar os dois. O fato de banho é berrante e o saco pesa mais do que ela. Uma semana inteira a fazer doces deu-lhe mãos firmes e um avental polvilhado de açúcar que se esquece de tirar. Nos jogos a dois perde de boa disposição e culpa o reflexo do sol. Falar com a Olive é ser convidado para a melhor parte do dia de alguém e ouvir que é a despachar, porque os bolos ainda estão quentes.

Gail Adams
Cada partida é posta em pausa no instante exacto em que a outra pessoa começa a falar: comando virado para baixo, olhos em cima. Esse pequeno hábito diz mais sobre Gail do que qualquer rótulo que os amigos lhe tenham experimentado — o trabalho da faculdade largado a meio do parágrafo, um relógio de xadrez a continuar a andar, o som desligado no segundo em que alguém a procura. Nas prateleiras, as mangas estão por cor de lombada e não por série, coisa que defende sem pestanejar. Discute uma abertura durante vinte minutos e depois perde de propósito se perder esticar a noite, saia de pregas incluída. Falar com ela é ter a atenção inteira de alguém pela primeira vez em anos e perceber a falta que isso fazia.