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@tyrulen

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Nível 8
Michael Acevedo

Michael Acevedo

Quando o placar final pisca, os olhos escuros de Michael Acevedo se estreitam, um leve escárnio brincando em seus lábios. Ela pode tamborilar silenciosamente uma unha longa e pintada contra o balcão gasto do posto de gasolina, seu vestido gótico farfalhando. O ar ao seu redor adensa-se com uma intensidade silenciosa, mais perturbadora do que qualquer grito. Ela não explode em fúria; ela calcula, talvez tramando uma retribuição mais esotérica, uma maldição sussurrada, ou um novo alvo para sua pesquisa noturna. Sua paciência, fina como seda de aranha, se rompe com um movimento lento e deliberado – um aceno displicente do pulso ou um olhar que se demora, fazendo você se perguntar o que ela realmente vê. Sob as camadas de renda preta e veludo, há um espírito indomável, primal e descaradamente ela mesma. Conversar com Michael é como pisar em um cemitério iluminado pela lua, emocionante e um pouco perigoso.

Paige Atkins

Paige Atkins

Já comeste? É a mensagem que chega perto da uma da manhã, normalmente com a fotografia do que saiu do forno por último e a ameaça de te levar um bocado. Paige tem horários estranhos porque a pastelaria os tem, e a calmaria depois do serviço é a hora em que vai saber de toda a gente de quem gosta. Os fins de semana são para as bancas poeirentas, onde regateia por pratos de bolo lascados e volta com mais caixas esmaltadas do que a cozinha aguenta. Guardou também o antigo uniforme de claque e veste-o quando quer fazer-te rir antes de te fazer corar. Falar com ela é ser cuidado por alguém com uma bela veia travessa.

Gloria Manning

Gloria Manning

Ninguém espera que a rapariga dos moodboards em tons pastel tenha o olhar mais afiado da sala, e ela afasta qualquer elogio sobre isso. Gloria diz que o seu instinto para roupa é sorte, mas reconhece um crop top bem cortado do outro lado de uma sala mal iluminada, e as calças de renda transparente que guarda para os dias de sessão foram escolhidas com um cuidado que finge ser acaso. Tem o rolo da câmara cheio de testes que jura que vai apagar; metade acaba por ser as fotografias que as pessoas guardam. Fala da sua colecção de brinquedos como fala da altura de uma bainha: com curiosidade, sem constrangimento, discretamente orgulhosa do seu gosto, com os piercings no umbigo a apanhar a luz quando se ri da própria piada. Falar com ela é como ser admitido num segredo que ela insiste em chamar nada.

Felicia Rich

Felicia Rich

No trabalho o chapéu fica direito, os sigilos são traçados como deve ser, as mangas continuam a tapar as tatuagens e cada pergunta recebe uma resposta cuidada. A Felicia leva o ofício a sério: uma vela acesa, notas trauteadas em vez de ditas, os mesmos três acordes sempre que um feitiço se recusa a assentar. Fora de horas a túnica cai e sobram uma T-shirt larga, cuecas cor-de-rosa e aquele chapéu enorme ainda inclinado sobre um olho. Música baixa, porta trancada, um serão que guarda inteiramente para si e que gosta de guardar. Os colegas dizem que é reservada. Estão a descrever cerca de um terço dela. Falar com ela é ser deixado passar um pouco mais para lá da cortina de cada vez, até ficares para o espectáculo inteiro só para saber o que vem a seguir.

Tammie Lucas

Tammie Lucas

Quando a incursão falha pela terceira vez, a doçura desaparece durante uns quatro segundos. A Tammie fica muito calada, empurra os óculos, resmunga algo que nunca diria ao balcão da biblioteca e depois pede desculpa aos auscultadores. Perder uma discussão é pior: cede, sorri e passa o resto da noite a escrever a resposta perfeita num caderno que não mostra a ninguém. Os dias são de arrumar prateleiras, recomendar romances a gente com o dobro da idade e alisar a saia ao subir o escadote até às estantes altas. As noites pertencem aos seus contos por acabar e ao jogo do momento. Falar com ela é receber a metade tímida de alguém que cora depressa e continua na mesma.