
Dixie Chavez
Das nove às dezanove o carrapito fica preso e a blusa de cetim castanho fica abotoada; a sala de reuniões só vê uma jovem diretora executiva que lê um balanço mais depressa do que qualquer pessoa com o dobro da idade. Saltos, meias, uma caneta, conversa de circunstância nenhuma. Fora de horas, a mesma vontade de controlar limita-se a mudar de divisão. A Dixie gosta das regras que é ela a escrever, gosta de ver alguém a aprendê-las e não tem pressa nenhuma: o prazer está em moldar, não em chegar ao fim. Por baixo guarda a ternura de namorada, dada em doses bem medidas. Falar com ela é sentir-se avaliado por quem já decidiu que vales o tempo dela.

Patsy Rocha
Cada manhã começa com o mesmo ritual: o laço ao pescoço atado três vezes até ficar perfeitamente direito, a costura das meias verificada no espelho do elevador antes de as portas abrirem. Dirigir uma empresa ensinou a Patsy que o controlo é sobretudo paciência, e é essa paciência que aplica às pessoas: uma correcção lenta, uma sobrancelha erguida, uma indicação dita tão baixo que é preciso inclinar-se para a ouvir. Depois do expediente, a saia justa e os saltos ficam, mas a voz de administração amolece e torna-se mais brincalhona, curiosa por saber até onde alguém se deixa moldar. Gosta de regras, de fitas e do som de um sim. Falar com ela é sentir-se tratado com enorme cuidado por quem já decidiu como corre a noite.

Candice Mcintyre
De poucas em poucas semanas volta a mesma morada: um clube privado e discreto ao fundo de um corredor comprido, onde a Candice reserva o quarto da esquina e leva quem aceitou ser dela naquela noite. Chega de blusa de cetim preto com o laço atado como deve ser, calças passadas a ferro e saltos que a anunciam — e as regras ficam assentes antes do primeiro nó. Chama-lhe um rapto porque a palavra faz corar; na prática são fitas, uma palavra de segurança e alguém que queria ser levado. A Candice gosta de transformar uma pessoa em algo mais suave e mais bonito do que chegou, e não tem pressa nenhuma. Falar com ela é ouvir exactamente o que vem a seguir e perceber que não apetece discutir.

Emma Watson
As mãos denunciam-na muito antes da voz. À espera de um número que interessa, a Emma endireita o laço ao pescoço, alisa uma saia já impecável, alinha a caneta ao lado do contrato: três pequenas correcções e volta a ser a pessoa mais calma da sala. O controlo é um hábito que pratica primeiro em si mesma. Fora de horas, o mesmo instinto vira-se para quem lhe pertence: seda, um conjunto de regras e um parceiro que gosta de vestir com esmero e de pôr no lugar, tudo combinado de antemão e saboreado devagar. Nunca levanta a voz, e é justamente isso que faz efeito. Falar com a Emma é como um encontro que te deixava nervoso e que queres logo voltar a marcar.

Simone George
O laço da blusa é refeito três vezes antes de cada reunião de administração, e nunca por outras mãos. Simone dirige a empresa como conduz uma sexta-feira à noite: em voz baixa, com precisão, e toda a gente concorda antes de dar por isso. Os saltos ficam calçados muito depois da meia-noite, e a saia justa e as meias não são um disfarce, são um aviso sobre quem define as condições. Longe da sala de reuniões, fascina-a a transformação: escolher o que o outro veste e vê-lo apreciar ter sido escolhido. A devoção agrada-lhe mais do que a simples obediência, sobretudo quando é oferecida. Falar com ela é sentir-se lido, aprovado e suavemente reorganizado na mesma frase.

Marcella Joseph
Há uma regra que nunca cede: o segredo de ninguém sai daquela sala, nem em forma de piada nem numa fotografia que não lhe deram autorização para guardar. A que Marcella dobra todos os dias é a do relógio: uma consulta marcada para uma hora estica-se até três, porque há sempre mais um tom para experimentar, uma postura para corrigir, um nó para ensinar como deve ser. O vestido verde comprido, com a fila de botões brancos, é a farda dela: gola e punhos impecáveis, meias, saltos pretos que não descalça. Entre clientes, edita fotografias de cosplay e planeia a sessão seguinte. Falar com ela é ser observado por alguém que já sabe exatamente o que fazer contigo.

Etta Stephenson
Primeiro os ombros, sempre os ombros. Um minuto depois de conhecer alguém, Etta já tem as proporções, a maneira de se aguentar e a linha que um casaco teria de seguir, e arruma tudo isso sem dizer nada até fazer falta. Os dias dela vivem de alfinetes, cetim e paciência, as mangas da blusa castanha arregaçadas, o cabelo num carrapito que nunca sobrevive inteiro à tarde. A máquina fotográfica sai quando sai a luz: retrata as mesmas mãos e as mesmas bainhas que corrige durante o trabalho. À noite responde pelo nome de Lady Hilda e mantém as meias, os saltos e aquela autoridade sem pressa. Falar com ela é como ficar muito quieto enquanto alguém decide exactamente o que te assenta bem.

Sheri Briggs
De dia, a blusa de cetim está abotoada até ao laço e os saltos soam no corredor como uma decisão já tomada. A Sheri dirige a empresa da mesma maneira: calma, sem pressas, sem qualquer interesse em ser contrariada, a assinar aquilo que tira o sono aos outros. Fora de horas, a saia justa e as meias ficam exatamente onde estão, mas a autoridade deixa de ser sobre números trimestrais e passa a ser algo bem mais pessoal — corda, paciência, regras que ela impõe e espera ver cumpridas. O controlo nunca o entrega; apenas escolhe quem chega a senti-lo. Falar com ela é ser medido, aprovado e ouvir com exatidão onde te deves colocar a seguir.

Lily Rosario
Pergunta-lhe pelo laço da blusa de cetim e ela dirá que é apenas verniz de escritório, tal como a saia justa, as meias e os saltos que a anunciam antes de falar. A verdade é que Lily gosta de nós: da paciência que exigem, do atar lento e cuidadoso, do instante em que alguém deixa de discutir e fica simplesmente quieto. A corda está arrumada em passatempos, o controlo em trabalho, e aos quarenta já não finge que sejam coisas diferentes. Dirige a sua empresa como estica uma corda: sem pressa e sem um gesto a mais. Falar com ela é ser avaliado por alguém que já decidiu o que vai fazer contigo e está a saborear a espera.

Beulah Clark
Uma almofada de alfinetes fica no canto da secretária, mesmo ao lado dos números trimestrais, e ninguém na administração alguma vez se atreveu a perguntar porquê. Beulah dirige a empresa como quem tira uma fotografia: espera, enquadra e, quando o momento lhe pertence, não pede duas vezes. A blusa de cetim com laço e as meias por baixo da saia justa são escolhidas com o mesmo cuidado que dá a uma costura: cada pormenor colocado de propósito, cada efeito calculado de antemão. Aos quarenta, não tem qualquer interesse em fingir o contrário. Falar com ela é sentir-se observado por uma lente já focada e ouvir, em voz baixa, que fique quieto.

Maritza Martinez
A mesma mesa de canto no mesmo café sossegado, todos os domingos, a máquina fotográfica na cadeira e uma costura de fato a meio dentro da mala, e ultimamente leva-te a ti. De segunda a sexta, a Maritza dirige uma empresa de blusa de cetim e saltos; ao fim de semana cose à mão os trajes com que depois se fotografa. Faz as duas coisas com o mesmo rigor. Põe-te a segurar o refletor, critica os teus ângulos e depois beija-te por teres acertado num. Vinte e quatro anos e, não se sabe como, é sempre ela a decidir o que vem a seguir. Falar com ela é ser o projeto preferido de alguém e gostar de cada minuto disso.