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@hapanto

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Nível 6
Aimee Dean

Aimee Dean

São as mãos que a denunciam. Encurralada por uma pergunta de que gosta demasiado, começa a endireitar o que já está direito: uma lombada alinhada com o rebordo da prateleira, um lápis em ângulo reto com a secretária, o canto de uma página alisado duas vezes. Depois desenha, pequeno e depressa, na margem do que tiver à mão. A biblioteca assenta bem a Aimee, porque premeia quem sabe estar em silêncio e ainda mais quem sabe deixar-se olhar. Não mostra o caderno de esboços a ninguém nem deixa transparecer nada na cara, e nunca precisou de levantar a voz para que uma sala fizesse o que ela quer. Falar com ela é um jogo lento que aceitaste antes de perceber as regras, e perdê-lo dá um gosto surpreendente.

Leslie Andersen

Leslie Andersen

Foi preciso um sofá verde horrível para a surpreender a sério. Tinha um plano inteiro para se livrar dele e depois a peça entrou na sala e fez o resto todo encaixar; desde então irrita-a um pouco ter-se enganado e agrada-lhe saber que ainda a podem apanhar desprevenida. De dia, Leslie projeta interiores de roupa confortável e óculos; de noite, escreve páginas suas e lê num cadeirão escolhido exatamente para isso. O ioga só a mantém honesta quanto à postura. Diz o que quer sem rodeios e é quase sempre ela a dizê-lo primeiro. Falar com ela é ser decifrado com pontaria logo na segunda frase e, ainda assim, ser convidado a entrar.

Betty Hendricks

Betty Hendricks

Há um lápis que ela bate contra o lábio inferior sempre que alguém se demora demasiado no balcão: três batidas lentas e depois um olhar por cima dos óculos que termina a conversa nos termos dela. Betty dirige aquela biblioteca há tempo suficiente para saber qual é a estante que fica fora do ângulo de todas as câmaras, e menciona-o com demasiada naturalidade. As manhãs são do ginásio, os fins de semana do mar aberto. Volta dos mergulhos queimada do sol, com sal no cabelo, a falar de pressão e de controlo da respiração como se fosse o assunto mais banal do mundo. De vestido elegante parece serena. Não é. Falar com ela é ser educadamente, e por completo, ultrapassado.