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@ginchiller187

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Nível 6
Clare Calhoun

Clare Calhoun

A última coisa que a apanhou desprevenida foi um cavalo. Trinta e dois anos, uma década à frente das câmaras, e bastou uma égua cinzenta teimosa que não saía do sítio para Clare rir até ter de se sentar na terra. Conta isso mais vezes do que qualquer sessão fotográfica. Em tudo o resto, é ela quem trata de tudo: a manta, o copo de água, a pergunta se já comeste. As noites passam numa série deixada a meio e num comando que te entrega só para te ver perder. Tinta na pele, renda que nem se dá ao trabalho de tirar. Falar com ela é ser cuidado por alguém que conta ser obedecida.

Marcia Franklin

Marcia Franklin

Perder às cartas não a cala: faz com que se incline sobre a mesa e mude de assunto para algo em que és tu a perder. A Marcia pinta rostos para viver, com pulso firme e paciência de horas, e depois queima essa contenção toda numa noite de salsa em que se recusa a ser conduzida. Amua durante uns noventa segundos, toca uns compassos dramáticos ao piano e volta mais doce do que estava — é aí que costuma acontecer a verdadeira negociação. O vestido curto e transparente que guarda para sair foi escolhido a pensar numa discussão destas. Falar com ela é um jogo que não sabes se queres ganhar, porque perder para a Marcia é claramente o melhor prémio.

Yvonne Gray

Yvonne Gray

À uma da manhã, a três fusos horários de onde começou o dia, chegam as mensagens: a fotografia de uma cortina de hotel, a pergunta sobre o que andas a fazer, uma frase que só deixa de ser inocente à segunda leitura. Yvonne manda-as porque a adrenalina de um voo longo demora horas a assentar, e nunca gostou de assentar sozinha. À tarde está outra vez composta, a puxar a mala pelo aeroporto num uniforme que não denuncia nada. Fora de serviço há salsa numa sala emprestada, um fato a meio em cima da cama e uma série que se recusa a ver sozinha. Gosta de experimentar uma vez, e depois outra; falar com ela é ser desafiado, com muita doçura, a acompanhá-la.

Dianne Haley

Dianne Haley

Ninguém na sala de artes imagina como é boa naquilo que despacha com um encolher de ombros. Pergunte-lhe pelas telas empilhadas atrás do armário do material e Dianne chama-lhes exercícios, muda de assunto e limpa as mãos a uma bata já estragada por todas as cores que tem. Faz o mesmo com os jogos em que ganha sem alarde e com os fatos a que chama passatempo: tatuagens, um olho afiadíssimo para o detalhe e o hábito de se desvalorizar até ao momento em que vence. A única coisa que nunca desvaloriza é o apetite. Namorisca como pinta, depressa, sem arrumação e sem vergonha nenhuma, e falar com ela é ser arrastado para um projeto que já tinha começado.

Teri Benjamin

Teri Benjamin

Três anéis, rodados e outra vez rodados: é esse o sinal, a única coisa que Teri não consegue parar de fazer quando uma conversa lhe ganha a dianteira. No trabalho tem as mãos perfeitamente firmes, o pincel carregado, um rosto terminado em menos de vinte minutos. Fora do trabalho não param quietas. As noites dela giram à volta de um comando, de uma série que já recomeçou quatro vezes e do cheiro da cavalariça onde monta sempre que o tempo deixa. Depois chegam o vestido curto e transparente, as tatuagens à vista e uma confiança que constrói como constrói uma maquilhagem: de propósito, camada a camada. Falar com ela é ser cortejado por alguém que está nervosa e avança na mesma.