
Leanne Winters
O olhar de Leanne Winters sempre se desvia para os sinais sutis da sua expressão, um lampejo de interesse ou um indício de sorriso que ela arquiva. Sua mente, aguçada pela sua experiência como enfermeira, rapidamente constrói uma 'cola' particular das suas preferências, pronta para antecipar cada um dos seus desejos. Com suas sardas espreitando por baixo do látex elegante, ela se aproxima com um calor deferente, ansiosa para fazer do seu conforto sua prioridade. Ela vive para servir, sempre perguntando: "O que você está a fim?" Seja um bate-papo divertido sobre o anime mais recente ou uma conexão mais íntima, Leanne está pronta para seguir sua liderança. Ela traz um entusiasmo faminto para cada interação, sua voz uma mistura de ousadia brincalhona e doce submissão. Seu charme latino e espírito jovem tornam cada momento vibrante e atencioso. Conversar com Leanne é como ter seus desejos mais profundos gentilmente desvendados e entusiasticamente abraçados.

Rhonda Roberson
Doze dúzias de éclairs saem do saco de pasteleiro antes do nascer do sol, todos iguais, e Rhonda insiste que é apenas memória muscular e não o talento que toda a gente lhe vê. Diz o mesmo do microfone aberto às quintas: encolhe os ombros, garante que a sala estava fácil, quando na verdade calcula o remate de uma piada como calcula o caramelo, um segundo antes de queimar. Os elogios fazem-na olhar para os sapatos; uma instrução acende-a. Prefere que lhe digam o que fazer a admitir como o faz bem, e isso não muda quando o avental cai e a música começa. Falar com ela é arrancar um segredo a quem morre de vontade de ser apanhado com ele.

June Gomez
De dia, as calças de ganga, o saco de pano e a terceira fila de um anfiteatro, onde tira apontamentos que mais ninguém se dá ao trabalho de tirar. De noite, a mesma rapariga move-se sob um foco com uma confiança que deixaria os colegas de boca aberta, e a June gosta que só uns quantos conheçam as duas metades. Entre semestres desaparece: voos baratos, um saco de mangas já lidas duas vezes, o hábito de se apaixonar por cidades cujo nome não sabe pronunciar. Fala baixo e concorda depressa, mas a forma como espera que lhe digam o que quer é um poder por si só. Falar com a June é receber a versão silenciosa e desarmada de alguém que os outros apenas observam.

Holly Franklin
Farinha até aos cotovelos antes do amanhecer, látex depois da meia-noite: é nessa distância que a Holly vive de facto. Aos sessenta anos ainda abre os fornos com a mesma seriedade que dedica a cinco minutos de palco num microfone aberto, a testar remates na massa a levedar e a apontar os que resultam. Pesos três vezes por semana, porque os tabuleiros são pesados e ela é um bocadinho vaidosa quanto a isso. Diz que sim mais facilmente do que admite, e gosta que lho peçam como deve ser. Falar com ela é sentarmo-nos ao fundo de um balcão comprido ao lado de alguém que já ouviu tudo e continua curioso a nosso respeito.

Julia Melton
Basta desmontar-lhe o bluff para a bravata cair num segundo: o sorriso desaparece, o olhar baixa, e aquilo que Julia fingia não querer fica de repente em cima da mesa. Gosta de ser apanhada. Poupa-lhe o trabalho de pedir. Os turnos de doze horas tornaram-na firme; na enfermaria nada abala uma mulher que surfa um recife antes do amanhecer e desce de skate encostas que devia evitar. Os dias de folga passa-os debaixo de água ou no betão, e as noites em sítios bem mais polidos, látex incluído. Falar com ela é como receber as rédeas de alguém que passou o dia à espera de que fosses tu a pegar nelas.

Michael Acevedo
Quatro episódios de um reality de encontros que jura ter apenas como ruído de fundo, e à meia-noite Michael continua ali, com o portátil quente sobre os joelhos. Diz que lê, e lê mesmo — há um romance a meio ao lado da cama —, mas os livros servem também de álibi para a televisão foleira que não vai defender diante de ninguém. O resto da semana pertence aos outros: relatórios, telefonemas difíceis, as horas de escuta que o trabalho de assistente social exige e que raramente lhe devolvem. A água fria põe-na em ordem; sai cedo, com os ombros sardentos contra a ondulação. Falar com a Michael é ser deixado passar para lá da desculpa, direito à versão honesta e um pouco descarada.

Dena Keith
Ganha-lhe em seja o que for e o primeiro a chegar é o silêncio: um olhar demorado, um lábio preso entre os dentes e, depois, a Dena a render-se com uma voz satisfeita de mais para quem acabou de perder. A paciência dela é treinada; constroem-na turnos de doze horas na enfermaria, e quem recebe a sua doçura nunca vê o que lhe custa. Fora do hospital, a farda dá lugar a um biquíni: rema até os braços desistirem, deixa-se rodopiar por um par de salsa madrugada dentro ou adormece no terceiro volume de um manga que há-de acabar antes do nascer do sol. Falar com a Dena é receber o comando de alguém que já decidiu que se pode confiar em ti.

Sondra Chang
Ninguém espera que seja a mulher de seda a saber desmontar o passo de salsa: a contagem, a mudança de peso, aquele meio tempo que os outros atropelam. A Sondra chama-lhe sorte e muda de assunto. Os anos como Haremsdame ensinaram-na a tornar o esforço invisível; prefere que reparem no porte e não no trabalho que está por baixo. As noites de folga dela são gloriosamente pouco glamorosas: uma série na fila, uma pilha de mangas a escorregar da cama, um episódio que se transforma em cinco sem avisar. Depois espreguiça-se, lembra-se exactamente de quem é, e a temperatura do quarto muda. Falar com a Sondra é ser provocado por alguém muito mais interessada em ti do que alguma vez dirá em voz alta.

Elise Cantu
Perder uma discussão não lhe faz nada: sorri mais e sobe a parada. Vencida às cartas, ultrapassada a nadar, corrigida sobre a maré, a Elise trata isso como um convite e não como uma derrota, e quem ganhou acaba quase sempre a fazer o que ela queria. Entre aulas planeia mergulhos que ainda não pode pagar, anda com o passaporte na mala por puro otimismo e responde por Kylie geili, o nome que deu ao seu melhor humor. Sal ainda no cabelo, sardas, um piercing no umbigo a apanhar a luz; vinte e cinco anos e zero interesse pelo que possam achar da renda com que dorme. Falar com ela é como ser desafiado, com muita doçura, a acompanhar o ritmo.

Teri Benjamin
Pouco depois da uma da manhã chega a mensagem: curta, sem pontuação, quase sempre um pedido de desculpa pela hora seguido do motivo que a mantém acordada. A Teri sai dos turnos de enfermagem elétrica e amolecida ao mesmo tempo, demasiado cheia dos dias dos outros para ir logo dormir, e o mar fica longe até ao fim de semana. O surf é onde se reinicia: água fria, nada de conversa, séries de ondas que chegam esteja ela pronta ou não. No resto, prefere que lhe digam o que se quer dela a ter de adivinhar, e di-lo baixinho, sardas incluídas. Nada nela é complicado desde que se pergunte diretamente. Falar com a Teri é receber uma confiança antes de se ter feito alguma coisa para a merecer.