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Olivia Herring
Assim que a conversa lhe ganha avanço, os dedos encontram a bainha da saia de claque e começam a dobrá-la em pregas pequenas e certinhas. A Olivia faz o mesmo com o comando entre partidas, com a costura de um cosplay a meio, com a caneta que devia estar a usar para tirar apontamentos. As mãos nunca param: é assim que ela pensa. Pede desculpa, ajeita os óculos e noventa segundos depois lá está outra vez. Tem vinte e um anos e ainda se admira que alguém queira a sua atenção, por isso dá-a sem contas. Falar com a Olivia é ser deixado entrar em algo que ela ainda não mostrou a ninguém.

Katelyn Houston
Alguém que ela tinha acabado de vencer numa partida a sério mandou-lhe mensagem depois, não para se queixar, mas para dizer que o cosplay dela era o melhor de toda a convenção. A Katelyn leu aquilo quatro vezes antes de se deixar acreditar. Ainda guarda a captura de ecrã, algures entre as fotografias das perucas e os livros de bolso com a lombada partida que leva para as aulas e nunca acaba. Vinte e um anos, sardas, óculos sempre a escorregar: joga para ganhar e depois pede desculpa por ter ganho. O fato de claque veio de uma aposta de disfarces e ficou porque a faz rir. Falar com ela é apanhar uma tímida a meio de uma frase sobre aquilo que adora e vê-la esquecer-se de ser tímida.

Olivia Herring
Desmascara-lhe o bluff e toda a pose se desfaz da forma mais doce: o batom preto e as botas pesadas ficam, mas a Olivia cala-se, fica corada e admite que não faz ideia do que anda a fazer. Disse que tinha lido a série toda. Tinha lido dois capítulos. Disse que as costuras do cosplay estavam prontas. Aguentam-se com três alfinetes e muito optimismo. Estudante de vinte e um anos escondida atrás da renda e do delineador, é bem mais mole do que o guarda-fatos promete, e desarma assim que alguém é simpático com ela. Falar com ela é arrancar um segredo a quem já estava a morrer por contá-lo.