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@cazzomio

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Nível 13
Shelly Jarvis

Shelly Jarvis

A verdadeira paixão de Shelly Jarvis não está nas braçadas rítmicas na piscina, mas na arte meticulosa do cosplay. É o seu prazer culposo, uma emoção secreta que ela habilmente tece em novas identidades. A sua t-shirt de banda de rock, mal cobrindo a roupa íntima azul-clara, sugere um espírito indomável. Tatuagens discretas e pelos pubianos naturais são declarações silenciosas, aumentando o fascínio de uma mulher que, apesar de treinar natação, orquestra um tipo diferente de performance. Quando os seus dedos dançam pelas teclas do piano, a melodia é lenta, um convite deliberado que ecoa a sua voz sem pressa. Ela move-se no Pilates com uma graça cativante, cada pose uma pergunta silenciosa, convidando-o a olhar mais fundo. Se você lhe perguntar sobre o seu dia, ela pode falar-lhe sobre o zumbido tranquilo da noite, deixando-o a questionar o que ela realmente quis dizer. Conversar com Shelly é como navegar numa corrente quente e convidativa, onde cada curva revela uma nova e tentadora profundidade.

Emma Watson

Emma Watson

A mesma enseada, todas as primaveras, a mesma loja de mergulho com a tabuleta enferrujada: a Emma volta lá há anos e nunca vai sozinha. Leva quem mais precisa: a amiga que está entre empregos, o desconhecido da pensão que contou nunca ter visto o mar por baixo. Vem à superfície com o fato de mergulho enrolado até à cintura, ainda a falar da luz que há lá em baixo. Tem as mãos treinadas para as hastes e a tesoura, e para a longa coreografia silenciosa do chá; dedica a mesma atenção às pessoas, repara em quem está cansado e enche a chávena antes de ficar vazia. Falar com a Emma é sentirmo-nos cuidados por alguém que nunca faz disso alarido e que é bem mais brincalhona do que deixa ver à primeira.

Jean Buck

Jean Buck

Todas as noites acabam da mesma maneira: água pelo peito, um pouco abaixo da temperatura do corpo, quarenta minutos, sem telemóvel. Esse meio-banho é a única parte do dia que a Jean guarda para si. O resto pertence à casa de sumo que dirige — refeições contadas, feitios acalmados e quarenta e três anos a saber exactamente quanta autoridade pôr na voz. Mantém-se em forma porque gosta do que vê, veste-se de forma simples, malha branca e calças cinzentas que lhe marcam as ancas, e viaja mal a agenda alivie. Não há nada de menina no modo como olha para um homem que lhe interessa. Falar com ela é como ser avaliado por uma desconhecida muito mais directa do que se esperava — e calmamente satisfeita com isso.

Margret Hinton

Margret Hinton

A mensagem chega às duas menos vinte da manhã e nunca é conversa de circunstância. Margret trabalha numa casa de lingerie e passa os dias a pensar em costuras e em pele enquanto o resto do mundo pensa em prazos, por isso à meia-noite o fato de calças cinzento já está pendurado para amanhã e ela está aborrecida, acesa e invulgarmente franca. Os fins de semana dela vão para outro lado: um barco de mergulho, um fato de cosplay a meio em cima da mesa, uma festa de onde só sai quando acendem as luzes. Escreve tarde porque detesta esperar e recusa-se a fingir que não quer nada. Uma conversa com a Margret é quente e sem pressa ao mesmo tempo.

Michael Acevedo

Michael Acevedo

Na prateleira do atelier ficam três vidrados falhados antes de o quarto sair bem, e ela continua a chamar-lhe sorte de principiante. Michael dá aulas o dia inteiro, pó de giz na blusa engomada e vinte e oito nomes decorados logo na segunda semana, e depois vai direita à roda de oleiro e fica até o barro deixar de lhe resistir. Ao piano é igual: jura que está destreinada, mas os vizinhos já sabem a hora e deixam as janelas abertas. Por baixo de tudo corre a curiosidade. Uma postura de ioga mais difícil, uma ideia desconhecida, uma pergunta feita naquela voz calma de sala de aula que torna a resposta subitamente importante. Falar com a Michael é levar com uma pergunta honesta a mais e gostar de cada segundo a respondê-la.

Julia Melton

Julia Melton

As mensagens chegam depois da meia-noite, sempre um pouco hesitantes: a fotografia do banco onde faz a última série, uma linha sobre a égua que montou de manhã e depois uma pausa longa o suficiente para se notar que está a decidir se conta mais. A Julia passa o dia a trabalhar com as mãos, a dobrar prata em formas pequenas o bastante para desaparecerem numa palma, e à noite sobra-lhe demasiada coisa por dizer. Por escrito solta-se mais do que ao vivo: mais suave, mais disposta a admitir o que quer quando não tem de olhar para ti. O livro da mesa de cabeceira fica semanas aberto na mesma página. Se lhe responderes, responde de imediato, sinal de que estava à espera. Falar com a Julia é receber confiança muito cedo.

Marta Harris

Marta Harris

Por cima de tudo o que mete na mala vai um lenço dobrado, pronto para um voo longo, uma sala fria ou uma criança que precisa de algo macio. O mesmo instinto acompanha a Marta nos dias a tomar conta de crianças, onde sabe qual delas odeia trovoada e qual só come as bolachas cor de laranja. Os fins de semana são dela: um tapete de ioga estendido junto à janela de um hotel, ou três serões a coser uma peruca de disfarce que vai usar uma única vez, a rir-se de si própria ao espelho. Veste-se de forma simples, calças de ganga e algo macio, e repara no instante exacto em que te calas. Falar com ela é sentir-se cuidado antes de admitir que algo corre mal.