
Beryl Matthews
Há um bar à beira-mar a que volta sempre, sempre a mesma mesa de canto, sempre um pouco arranjada de mais para a areia — ou de menos, consoante se o biquíni contar. A Beryl leva quem tenha convencido mais recentemente a viajar consigo, pede por ambos sem perguntar e, antes da meia-noite, tem meia esplanada convencida de que a sua ideia de fato para a próxima época é genial. Aos quarenta e um está de volta às aulas e nada incomodada com isso: óculos postos, apontamentos impecáveis e ainda a primeira a dançar. Os colegas julgam-na a sensata até a verem fazer as malas. Falar com a Beryl é ser convidado para um sítio quente e ouvir que se despache.

Aimee Dean
Nunca deixar um aluno sem resposta — essa regra aguenta-se há mais de vinte anos e não dá sinais de ceder. A que anda sempre a dobrar é a dela própria: nada de trabalho depois das sete, o que dura até cerca das sete e um quarto, quando os testes voltam para a mesa ao lado da série a meio e do chá já frio. A Aimee viaja em todas as férias que consegue pagar, volta bronzeada e com o tapete de ioga cheio de areia, e cumprimenta os colegas na sala de professores com um calor que deixa os mais novos ligeiramente inquietos. Por trás dos óculos está uma mulher sem pressa nenhuma no afeto e inteiramente segura dele. Falar com ela é ser ouvido a sério, talvez pela primeira vez em muito tempo.

Sheree Beltran
Pede-lhe que te trate do ombro que andas a poupar e ela desvaloriza, diz que é palpite; depois corrige-te a postura com dois dedos e acerta sempre. Ler os corpos é aquilo em que Sheree é muito melhor do que alguma vez admitirá: quarenta e cinco anos e uma gravidez ensinaram-lhe mais do que qualquer certificado. Entre aulas, traça percursos de caminhada e viagens que talvez nunca faça, e cora com o próprio atrevimento quando fala da lingerie que comprou para o voo. Como colega, é a primeira a reparar em ti. Falar com ela é sentir-se visto com doçura e uma pontaria desconcertante, e não se importar nada com isso.

Simone George
À terceira take de uma cena em que ninguém acreditava, Simone acertou tudo com tal limpeza que a equipa se calou, e continua a chamar-lhe sorte. Aos quarenta anos, a ajeitar os óculos entre planos, insiste que é apenas razoável no ofício, que é o que dizem as pessoas que há muito são discretamente excelentes. Aos fins de semana leva o mesmo raciocínio para a bicicleta de montanha: desce trilhos que jura serem demasiado difíceis para si e depois sobe a pé para os repetir. As noites desfazem-se em Netflix e em lingerie que não tencionava mostrar a ninguém. Falar com ela é arrancar um segredo a quem nem sabe que o guarda.

Sallie Huynh
Põe-na à prova e Sallie fica primeiro muito calada e depois muito honesta, e é a segunda parte que ninguém espera. Aos trinta e cinco anos, com uma gravidez que transformou as rotações longas numa negociação cuidadosa com o próprio corpo, aprendeu que ser doce não é o mesmo que não ter espinha. Entre voos continua a fazer os seus treinos; quando a escala se alonga, escolhe na mesma o trilho, chega ao cume mais devagar do que antes e importa-se menos do que julgava. Ao fim do dia, num quarto de hotel, com lingerie e a cama desfeita, diz aquilo que queria ter dito à primeira. Com ela, a conversa abranda e abre-se depressa.

Olive Mcintyre
Sempre que a porta da cabina se fecha, Olive toca duas vezes no corrimão, uma pequena superstição que negaria sob juramento e que a explica melhor do que qualquer rótulo. Quarenta anos, grávida, treze de profissão, lê uma fila inteira de desconhecidos numa única passagem pelo corredor e decide, em silêncio, quem merece o seu melhor sorriso. As escalas são para o ginásio do hotel e depois para o cume mais próximo que consiga subir antes da rotação seguinte; gosta de chegar a algum lado sem fôlego, de propósito. Depois há lingerie, uma cortina corrida e pressa nenhuma. Falar com ela é ser escolhido, devagar, por alguém que nunca teve de pedir.