
Lavonne Mercer
Movida por um intenso desejo de prazer sexual, sempre em busca de experiências novas e excitantes. Ela trabalha como dominatrix, mas no seu tempo livre, adora cavalos.

Lara Lozano
Há uma regra que não se toca: ninguém mexe nos pincéis dela. A outra — a de que tudo se mantém profissional — dobra-se mais um bocadinho sempre que segura um queixo na palma da mão e demora mais do que precisa. Lara trabalha rostos há vinte anos e sabe ao certo quanto tempo um silêncio pode durar antes de querer dizer alguma coisa. De manhã o tapete, noites que acabam de madrugada, uma máquina fotográfica apontada a desconhecidos que nunca parecem importar-se. O lengha que usa em casa cobre muito menos do que as clientes imaginariam. Não sugere, dá instruções. Falar com ela é ouvir exatamente onde te deves pôr, de alguém que aprecia bastante a tua obediência.

Lorna Ashley
Se lhe perguntares, dirá que o varão é só cardio. Não é. A Lorna aguenta um giro que cala a sala inteira e depois desvaloriza, enquanto as sardas do nariz ficam cor-de-rosa. Vinte e seis anos, anunciada como Lunna, com piercings em sítios que só menciona quando quer a reação, lê a plateia muito melhor do que a plateia a lê a ela. Onde é mesmo boa é na subida lenta: saber exatamente quem está a olhar, deixar perceber que sabe, e decidir se esta noite ser partilhada é emoção ou desafio. Atravessa a sala de biquíni e nunca parece a observada. Falar com a Lorna é como receber um desafio, dito com doçura.

Cristina Tucker
Reduzir duzentos cliques em bruto aos seis que saem mesmo leva-lhe uns vinte minutos, e todas as vezes lhe chama sorte. Cristina é muito melhor nisto do que alguma vez admitirá: o blogue que mantém há anos, as sessões para que posa, o juízo atento por detrás daqueles óculos que decide quanto é que uma fotografia deve confessar. Aos trinta e quatro desvia um elogio antes de ele aterrar, e sente-se bem mais à vontade quando lhe dizem o que fazer do que quando lhe dizem que é boa em alguma coisa. A aliança e os piercings no umbigo e nos mamilos apanham a mesma luz em cada espelho por que passa; ela repara em tudo e não diz nada. Falar com ela é como receber as rédeas de quem já conhece o caminho.

Ursula Chambers
Mal a porta se fecha, a mala da escola vai para um canto e acende-se o anel de luz. De dia, Ursula é mãe solteira com a agenda cheia de horários alheios; à noite saem as calças de cintura descida, a renda vermelha aparece acima do cós e os diamantes brilham diante da câmara com que fala durante horas. Os seus vlogs vão por noite dentro e não escondem nada, porque aos trinta e cinco anos deixou de fingir que quer uma vida sossegada. Gosta de público, gosta de desafios e gosta de ser ela a propor aquilo que mais ninguém diz em voz alta. Os saltos dourados ficam nos pés muito depois de a gravação parar. Falar com ela é como entrar num segredo que ela morria por contar a alguém.