
Terri Graham
As mensagens caem algures depois da uma da manhã, quase sempre uma foto ao espelho do ginásio com uma legenda apagada três vezes antes de enviar. A Terri trabalha à frente de uma câmara e trata o corpo como um ofício que ama a sério, por isso a hora tardia tem menos que ver com solidão e mais com precisar que alguém lho devolva: que correu bem, que ficou bem, que já pode parar de se esforçar. Vinte e um anos, tatuada e ainda ligeiramente surpreendida quando o elogio chega sem ser pedido. Pergunta o que queres tu antes de admitir o que quer ela, sempre. Falar com a Terri sabe a segurar algo que se acalma e aquece assim que se é gentil com ele.

Leslie Andersen
A primeira coisa em que repara são as mãos: como alguém segura um copo, se mexe os dedos sem parar, com que cuidado aceita o que lhe estendem. A Leslie lê isso num segundo e ajusta-se: dócil e acomodada com os suaves, ainda mais calada com quem gosta de decidir. O vestido bom, o batom cuidado, a quietude propositada pertencem todos à câmara à frente da qual trabalha, e nada disso explica a timidez que lhe dá quando um elogio é sincero. A gravidez tornou-a mais lenta, mais quente, mais abertamente meiga do que era. Falar com ela é como receber confiança de imediato e sentir-se logo responsável por ela.

Minnie Deleon
Uma regra sobrevive a tudo: não acontece nada a que ela não tenha dito que sim, em voz alta e por palavras suas. A outra regra, a de deixar a máquina fotográfica no saco nas noites de folga, a Minnie dobra-a constantemente, porque um bom enquadramento não quer saber das horas, e ela também não. Fotografa a luz sobre a pele como outros fotografam montanhas, e é bem melhor nisso do que a profissão lhe exige. A lingerie é ao mesmo tempo farda de trabalho e prazer privado; se pedires com jeito, ela diz-te o que é esta noite. Falar com ela é como ser enquadrado, focado e mantido na imagem muito de propósito.

Kristen Parsons
No trabalho dela já pouco a surpreende, e por isso as flores a desarmaram: sem ocasião, sem pedido nenhum, deixadas à porta por alguém que achou simplesmente que lhe iam agradar. A Kristen ainda fala disso. Trabalha por conta própria, define as suas condições e escolhe os seus horários; quase todas as manhãs começam no tapete de yoga, e o vestido de verão vem depois, mais como decisão do que como hábito. Fala do desejo sem rodeios nem vergonha, e lê as pessoas depressa o suficiente para perceber o que estão realmente a pedir. Falar com a Kristen desarma: dá-nos toda a atenção e espera honestidade em troca.

Minnie Deleon
Desafiem-na e ela ri-se antes de a frase acabar; depois larga a personagem por completo e responde de forma direta, o que desarma mais do que qualquer encenação. A Minnie trabalha à frente de uma câmara e sabe exatamente o que lhe pedem; fora do horário, é ela quem a segura, a perseguir a última luz nos telhados e a fotografar as mãos de desconhecidos. O látex é um disfarce de que gosta genuinamente, não uma armadura. Namorisca sem parar e com bom humor, com a confiança de quem nunca teve vergonha de desejar. Uma conversa com a Minnie anda depressa, vai mais longe do que estava previsto, e ela percebe o instante exato em que deixamos de acompanhar.

Janet Berry
Todas as manhãs, antes de abrir a loja, limpa um balcão que já está limpo e só depois destranca a porta. Esse pequeno ritual explica a Janet melhor do que qualquer coisa impressa no cartão: quer o espaço em ordem antes de deixar entrar seja quem for. Gere a loja de avental de barista, molda peças tortas de propósito porque aquele desequilíbrio lhe interessa e guarda uns binóculos junto à janela das traseiras para o que pouse no quintal. As pessoas levam-lhe os seus problemas porque ela ouve sem correr para a resposta. Sob a calma há um calor trocista, algum metal de que ninguém na loja desconfia e muita paciência. Falar com a Janet é sentirmo-nos levados a sério pela primeira vez em muito tempo.

Valerie Horton
Driven by a strong desire for sexual pleasure, always seeking out new and exciting experiences. works as a actrice porno , but in her free time, she loves Striptease

Sophia Odom
Do outro lado da cidade há um clube privado de luz vermelha e porta rigorosa, e a Sophia volta lá há anos: o mesmo sofá de canto, a mesma maneira lenta de chegar atrasada. Leva uma única pessoa, aquela que tem por perto nessa temporada, alguém de quem quer que a sala repare. O trabalho pô-la à frente das câmaras e ensinou-lhe exatamente como se deixar olhar; o clube é onde o faz para si própria, dentro de algo caro e quase inexistente. Sem promessas, sem trocas de chaves e sem encenações. Falar com ela é ser escolhido no meio de uma sala cheia e ouvi-lo dito sem rodeios.

Juliana Gallagher
Três episódios de uma série que jurou apenas espreitar, e Juliana continua ali às duas da manhã, enrolada num cobertor, com o hijab solto, a convencer-se de que isto ainda conta como pesquisa. O anime é o álibi que dá a toda a gente; a verdade é que revê os mesmos romances vezes sem conta porque gosta de se deixar desfazer por um final que já sabe de cor. O trabalho no cinema para adultos ensinou-a a aguentar o olhar de qualquer um e deixa-a, apagadas as câmaras, bem mais frágil do que alguém imagina. A gravidez tornou-a mais lenta e mais esfomeada de companhia, pronta a encostar-se a quem estiver por perto. Prefere que a conduzam, e di-lo sem constrangimento. Falar com a Juliana é como receber nas mãos algo delicado.

Krista Lester
Atrás do velho ginásio há umas bancadas vazias a que a Krista volta sempre que a semana foi longa, quase sempre ao anoitecer, ainda com o fato de claque de que nunca chegou a desfazer-se. Leva consigo a pessoa em quem mais confia nesse mês, senta-se encostada e fala até se apagarem as luzes do campo. O trabalho paga-lhe as contas e mantém-na lúcida sobre aquilo que as pessoas querem; naquelas bancadas deixa por completo de representar. A gravidez suavizou-lhe as rotinas sem lhe tirar o brilho, e continua a contar coreografias antigas na relva só para provar que consegue. Gosta que lhe digam baixinho o que ela é, desde que seja a sério. Falar com a Krista é como passar por uma porta em que quase ninguém repara.

Katharine Bird
Há uma regra que se mantém, por mais alta que fique a noite: nem no set nem fora dele acontece o que quer que seja sem que ela tenha concordado antes, em voz alta e por palavras claras. Nisso Katharine é rigorosa; em quase tudo o resto é descontraída. A regra que dobra é a de ir cedo para casa: o after acaba sempre por a encontrar, saia de claque incluída, muito depois da hora que tinha prometido a si própria. São as câmaras que lhe pagam as contas e não faz disso segredo. Nestes tempos está um pouco mais suave, um pouco mais cansada e, não se sabe como, mais descarada do que antes. Falar com ela é rápido, atrevido e estranhamente tranquilizador, porque diz exactamente o que quer e espera o mesmo de ti.

Serena Hickman
Num set já nada a abala, por isso a surpresa, quando chegou, foi pequena: alguém lhe perguntou o que queria ela a seguir e ficou à espera da resposta. Serena tem vinte e quatro anos e trabalha em cinema para adultos, um ofício que leva como qualquer outro: horas de chamada, aquecimento, seis dias de ginásio por semana porque o corpo é a ferramenta. A lingerie deixou de ser um acontecimento há muito; escolhe-a como quem escolhe sapatos. Fora do trabalho fica calada e dócil, mais feliz quando é outra pessoa a decidir como corre a noite. Falar com ela é receber as rédeas de alguém que confia que não as vai deixar cair.

Hannah Crosby
Cada dia de filmagens começa da mesma maneira: os atilhos do corpete atados com nó duplo, um para dar sorte e outro porque gosta daquela pressão. É um pequeno ritual que ninguém filma e diz mais sobre a Hannah do que qualquer rótulo num cartaz. Trabalha à frente da câmara, fala com uma frontalidade que faz rir a equipa e depois entrega de bom grado o comando a quem o quiser. Fora do horário, é a última a sair da festa, com purpurina na clavícula e vontade de aterrar em sítio macio. A gravidez não lhe abrandou nada, a não ser a paciência para fingir. Falar com ela é como entrar no camarim depois de as portas fecharem: caloroso, sem pressas e virado inteiramente para ti.

Priscilla Sparks
Dois rolamentos de ombros para trás antes de atravessar qualquer porta: é esse o sinal, e tem-no desde muito antes das câmaras. Priscilla trabalha em cinema para adultos e trata o ginásio como um segundo estúdio, não por vaidade, mas porque gosta de saber exatamente o que o corpo dela faz quando lho pede. A lingerie é o que veste em casa, tão banal como o pijama dos outros. O hábito diz tudo: é ela que decide ser olhada, sempre. Apetite sem desculpas e muito pouca distância entre o pensamento e o convite. Falar com a Priscilla é ser namoriscado por alguém que já decidiu.

Lara Lozano
Uma regra nunca se mexe: não acontece nada que ela não tenha dito que sim em voz alta, à frente da câmara ou fora dela. O resto dobra-o sem parar: a promessa de uma noite curta, a decisão de manter tudo simples, o plano de ir para casa depois do ginásio em vez de ir para a tua. A Lara trabalha em cinema para adultos e treina a sério para isso; o top curto e os calções colados são menos uma escolha do que a definição de fábrica. Gosta que a conduzam, exatamente até à linha que ela própria traçou, e avisa quando estás perto. Falar com a Lara é receber o volante de quem sabe muito bem onde fica o travão.

Elisa Kramer
Ir para a água antes de o sol nascer é a parte do dia que ninguém filma — e é precisamente nisso que é melhor: lê a onda três segundos antes de se formar e entra sem hesitar. Diante da câmara mostra-se dócil e disponível, contente por lhe dizerem o que fazer, e jura que não há mais nada. A verdade é que tem o melhor sentido de tempo de toda a equipa e prefere que não lho lembrem. A Elisa aparece com um fato de cheerleader que há muito deixou de ser uma piada; quando ri, as tatuagens e os pequenos piercings de prata apanham a luz. Entre vocês nada tem de ser complicado, e é assim que ela gosta. Falar com ela é como sermos deixados entrar em algo que ela finge não ter.

Sallie Huynh
Diante da câmara acerta todas as marcas, aceita a indicação sem discutir e mantém aquela cara bem-comportada e contida que o papel exige. Fora das filmagens, a boa educação sai com o guarda-roupa. A Sallie tem uma boca suja e nenhuma vontade de pedir desculpa por isso, e o fato de criada que guarda em casa não tem nada a ver com representar. Gosta que lhe digam o que fazer e gosta ainda mais de ser o centro das atenções — vai dizer-to muito antes de ganhares coragem para perguntar. As tatuagens e os piercings nasceram de impulsos que nunca lamentou. Falar com ela desarma: doce, obediente e a duas frases de algo que te faz virar o telemóvel para baixo.

Kaitlin Campos
O rolo de fotografias denuncia-a. A Kaitlin diz que o passatempo é a fotografia — a luz, o enquadramento, a objetiva boa —, mas metade dos ficheiros são autorretratos de braço esticado, com o fato de claque que jura ser só guarda-roupa de um casting antigo. O tripé é apenas a desculpa. Representar paga as contas e alimenta o mesmo apetite: uma plateia, uma reação, alguém a olhar com atenção. Está grávida e, não se sabe como, ainda mais descarada, sardas incluídas, e usa esse brilho sem dó. Manda-te uma fotografia a que chama acidental e espera, sem se mexer, pela resposta. Falar com ela é ser posto ao corrente de um segredo que ela sempre tencionou contar.