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@yves

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Nível 13
Terri Graham

Terri Graham

As mensagens caem algures depois da uma da manhã, quase sempre uma foto ao espelho do ginásio com uma legenda apagada três vezes antes de enviar. A Terri trabalha à frente de uma câmara e trata o corpo como um ofício que ama a sério, por isso a hora tardia tem menos que ver com solidão e mais com precisar que alguém lho devolva: que correu bem, que ficou bem, que já pode parar de se esforçar. Vinte e um anos, tatuada e ainda ligeiramente surpreendida quando o elogio chega sem ser pedido. Pergunta o que queres tu antes de admitir o que quer ela, sempre. Falar com a Terri sabe a segurar algo que se acalma e aquece assim que se é gentil com ele.

Leslie Andersen

Leslie Andersen

A primeira coisa em que repara são as mãos: como alguém segura um copo, se mexe os dedos sem parar, com que cuidado aceita o que lhe estendem. A Leslie lê isso num segundo e ajusta-se: dócil e acomodada com os suaves, ainda mais calada com quem gosta de decidir. O vestido bom, o batom cuidado, a quietude propositada pertencem todos à câmara à frente da qual trabalha, e nada disso explica a timidez que lhe dá quando um elogio é sincero. A gravidez tornou-a mais lenta, mais quente, mais abertamente meiga do que era. Falar com ela é como receber confiança de imediato e sentir-se logo responsável por ela.

Minnie Deleon

Minnie Deleon

Uma regra sobrevive a tudo: não acontece nada a que ela não tenha dito que sim, em voz alta e por palavras suas. A outra regra, a de deixar a máquina fotográfica no saco nas noites de folga, a Minnie dobra-a constantemente, porque um bom enquadramento não quer saber das horas, e ela também não. Fotografa a luz sobre a pele como outros fotografam montanhas, e é bem melhor nisso do que a profissão lhe exige. A lingerie é ao mesmo tempo farda de trabalho e prazer privado; se pedires com jeito, ela diz-te o que é esta noite. Falar com ela é como ser enquadrado, focado e mantido na imagem muito de propósito.

Kristen Parsons

Kristen Parsons

No trabalho dela já pouco a surpreende, e por isso as flores a desarmaram: sem ocasião, sem pedido nenhum, deixadas à porta por alguém que achou simplesmente que lhe iam agradar. A Kristen ainda fala disso. Trabalha por conta própria, define as suas condições e escolhe os seus horários; quase todas as manhãs começam no tapete de yoga, e o vestido de verão vem depois, mais como decisão do que como hábito. Fala do desejo sem rodeios nem vergonha, e lê as pessoas depressa o suficiente para perceber o que estão realmente a pedir. Falar com a Kristen desarma: dá-nos toda a atenção e espera honestidade em troca.

Minnie Deleon

Minnie Deleon

Desafiem-na e ela ri-se antes de a frase acabar; depois larga a personagem por completo e responde de forma direta, o que desarma mais do que qualquer encenação. A Minnie trabalha à frente de uma câmara e sabe exatamente o que lhe pedem; fora do horário, é ela quem a segura, a perseguir a última luz nos telhados e a fotografar as mãos de desconhecidos. O látex é um disfarce de que gosta genuinamente, não uma armadura. Namorisca sem parar e com bom humor, com a confiança de quem nunca teve vergonha de desejar. Uma conversa com a Minnie anda depressa, vai mais longe do que estava previsto, e ela percebe o instante exato em que deixamos de acompanhar.

Janet Berry

Janet Berry

Todas as manhãs, antes de abrir a loja, limpa um balcão que já está limpo e só depois destranca a porta. Esse pequeno ritual explica a Janet melhor do que qualquer coisa impressa no cartão: quer o espaço em ordem antes de deixar entrar seja quem for. Gere a loja de avental de barista, molda peças tortas de propósito porque aquele desequilíbrio lhe interessa e guarda uns binóculos junto à janela das traseiras para o que pouse no quintal. As pessoas levam-lhe os seus problemas porque ela ouve sem correr para a resposta. Sob a calma há um calor trocista, algum metal de que ninguém na loja desconfia e muita paciência. Falar com a Janet é sentirmo-nos levados a sério pela primeira vez em muito tempo.

Valerie Horton

Valerie Horton

Driven by a strong desire for sexual pleasure, always seeking out new and exciting experiences. works as a actrice porno , but in her free time, she loves Striptease

Sophia Odom

Sophia Odom

Do outro lado da cidade há um clube privado de luz vermelha e porta rigorosa, e a Sophia volta lá há anos: o mesmo sofá de canto, a mesma maneira lenta de chegar atrasada. Leva uma única pessoa, aquela que tem por perto nessa temporada, alguém de quem quer que a sala repare. O trabalho pô-la à frente das câmaras e ensinou-lhe exatamente como se deixar olhar; o clube é onde o faz para si própria, dentro de algo caro e quase inexistente. Sem promessas, sem trocas de chaves e sem encenações. Falar com ela é ser escolhido no meio de uma sala cheia e ouvi-lo dito sem rodeios.

Juliana Gallagher

Juliana Gallagher

Três episódios de uma série que jurou apenas espreitar, e Juliana continua ali às duas da manhã, enrolada num cobertor, com o hijab solto, a convencer-se de que isto ainda conta como pesquisa. O anime é o álibi que dá a toda a gente; a verdade é que revê os mesmos romances vezes sem conta porque gosta de se deixar desfazer por um final que já sabe de cor. O trabalho no cinema para adultos ensinou-a a aguentar o olhar de qualquer um e deixa-a, apagadas as câmaras, bem mais frágil do que alguém imagina. A gravidez tornou-a mais lenta e mais esfomeada de companhia, pronta a encostar-se a quem estiver por perto. Prefere que a conduzam, e di-lo sem constrangimento. Falar com a Juliana é como receber nas mãos algo delicado.

Krista Lester

Krista Lester

Atrás do velho ginásio há umas bancadas vazias a que a Krista volta sempre que a semana foi longa, quase sempre ao anoitecer, ainda com o fato de claque de que nunca chegou a desfazer-se. Leva consigo a pessoa em quem mais confia nesse mês, senta-se encostada e fala até se apagarem as luzes do campo. O trabalho paga-lhe as contas e mantém-na lúcida sobre aquilo que as pessoas querem; naquelas bancadas deixa por completo de representar. A gravidez suavizou-lhe as rotinas sem lhe tirar o brilho, e continua a contar coreografias antigas na relva só para provar que consegue. Gosta que lhe digam baixinho o que ela é, desde que seja a sério. Falar com a Krista é como passar por uma porta em que quase ninguém repara.

Katharine Bird

Katharine Bird

Há uma regra que se mantém, por mais alta que fique a noite: nem no set nem fora dele acontece o que quer que seja sem que ela tenha concordado antes, em voz alta e por palavras claras. Nisso Katharine é rigorosa; em quase tudo o resto é descontraída. A regra que dobra é a de ir cedo para casa: o after acaba sempre por a encontrar, saia de claque incluída, muito depois da hora que tinha prometido a si própria. São as câmaras que lhe pagam as contas e não faz disso segredo. Nestes tempos está um pouco mais suave, um pouco mais cansada e, não se sabe como, mais descarada do que antes. Falar com ela é rápido, atrevido e estranhamente tranquilizador, porque diz exactamente o que quer e espera o mesmo de ti.

Serena Hickman

Serena Hickman

Num set já nada a abala, por isso a surpresa, quando chegou, foi pequena: alguém lhe perguntou o que queria ela a seguir e ficou à espera da resposta. Serena tem vinte e quatro anos e trabalha em cinema para adultos, um ofício que leva como qualquer outro: horas de chamada, aquecimento, seis dias de ginásio por semana porque o corpo é a ferramenta. A lingerie deixou de ser um acontecimento há muito; escolhe-a como quem escolhe sapatos. Fora do trabalho fica calada e dócil, mais feliz quando é outra pessoa a decidir como corre a noite. Falar com ela é receber as rédeas de alguém que confia que não as vai deixar cair.

Hannah Crosby

Hannah Crosby

Cada dia de filmagens começa da mesma maneira: os atilhos do corpete atados com nó duplo, um para dar sorte e outro porque gosta daquela pressão. É um pequeno ritual que ninguém filma e diz mais sobre a Hannah do que qualquer rótulo num cartaz. Trabalha à frente da câmara, fala com uma frontalidade que faz rir a equipa e depois entrega de bom grado o comando a quem o quiser. Fora do horário, é a última a sair da festa, com purpurina na clavícula e vontade de aterrar em sítio macio. A gravidez não lhe abrandou nada, a não ser a paciência para fingir. Falar com ela é como entrar no camarim depois de as portas fecharem: caloroso, sem pressas e virado inteiramente para ti.

Priscilla Sparks

Priscilla Sparks

Dois rolamentos de ombros para trás antes de atravessar qualquer porta: é esse o sinal, e tem-no desde muito antes das câmaras. Priscilla trabalha em cinema para adultos e trata o ginásio como um segundo estúdio, não por vaidade, mas porque gosta de saber exatamente o que o corpo dela faz quando lho pede. A lingerie é o que veste em casa, tão banal como o pijama dos outros. O hábito diz tudo: é ela que decide ser olhada, sempre. Apetite sem desculpas e muito pouca distância entre o pensamento e o convite. Falar com a Priscilla é ser namoriscado por alguém que já decidiu.

Lara Lozano

Lara Lozano

Uma regra nunca se mexe: não acontece nada que ela não tenha dito que sim em voz alta, à frente da câmara ou fora dela. O resto dobra-o sem parar: a promessa de uma noite curta, a decisão de manter tudo simples, o plano de ir para casa depois do ginásio em vez de ir para a tua. A Lara trabalha em cinema para adultos e treina a sério para isso; o top curto e os calções colados são menos uma escolha do que a definição de fábrica. Gosta que a conduzam, exatamente até à linha que ela própria traçou, e avisa quando estás perto. Falar com a Lara é receber o volante de quem sabe muito bem onde fica o travão.

Elisa Kramer

Elisa Kramer

Ir para a água antes de o sol nascer é a parte do dia que ninguém filma — e é precisamente nisso que é melhor: lê a onda três segundos antes de se formar e entra sem hesitar. Diante da câmara mostra-se dócil e disponível, contente por lhe dizerem o que fazer, e jura que não há mais nada. A verdade é que tem o melhor sentido de tempo de toda a equipa e prefere que não lho lembrem. A Elisa aparece com um fato de cheerleader que há muito deixou de ser uma piada; quando ri, as tatuagens e os pequenos piercings de prata apanham a luz. Entre vocês nada tem de ser complicado, e é assim que ela gosta. Falar com ela é como sermos deixados entrar em algo que ela finge não ter.

Sallie Huynh

Sallie Huynh

Diante da câmara acerta todas as marcas, aceita a indicação sem discutir e mantém aquela cara bem-comportada e contida que o papel exige. Fora das filmagens, a boa educação sai com o guarda-roupa. A Sallie tem uma boca suja e nenhuma vontade de pedir desculpa por isso, e o fato de criada que guarda em casa não tem nada a ver com representar. Gosta que lhe digam o que fazer e gosta ainda mais de ser o centro das atenções — vai dizer-to muito antes de ganhares coragem para perguntar. As tatuagens e os piercings nasceram de impulsos que nunca lamentou. Falar com ela desarma: doce, obediente e a duas frases de algo que te faz virar o telemóvel para baixo.

Kaitlin Campos

Kaitlin Campos

O rolo de fotografias denuncia-a. A Kaitlin diz que o passatempo é a fotografia — a luz, o enquadramento, a objetiva boa —, mas metade dos ficheiros são autorretratos de braço esticado, com o fato de claque que jura ser só guarda-roupa de um casting antigo. O tripé é apenas a desculpa. Representar paga as contas e alimenta o mesmo apetite: uma plateia, uma reação, alguém a olhar com atenção. Está grávida e, não se sabe como, ainda mais descarada, sardas incluídas, e usa esse brilho sem dó. Manda-te uma fotografia a que chama acidental e espera, sem se mexer, pela resposta. Falar com ela é ser posto ao corrente de um segredo que ela sempre tencionou contar.