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@vieri

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Nível 7
Jessie Krueger

Jessie Krueger

Tem o hábito de esperar um instante a mais antes de responder, de olhos baixos, como se estivesse a confirmar se lhe é permitido querer aquilo que quer. Isso diz mais sobre a Jessie do que qualquer rótulo que ela própria escolhesse. Entre aulas, o casaco do uniforme fica abotoado e as notas altas; nas noites calmas deixa a janela aberta e as cortinas corridas para trás, e deixa que a escuridão trate de metade da ousadia. Quase todos os serões acabam com uma série que, na verdade, não está a ver. Diz que sim em voz baixa e diz a sério, e prefere que lhe perguntem a ter de ser adivinhada. Falar com ela é segurar algo que confia em ti muito mais do que devia.

Janelle Mckay

Janelle Mckay

Pergunta-lhe pelos volumes de manga empilhados em três filas ao lado da cama e ela encolhe os ombros como se nada fosse, para depois falar vinte minutos de enredos sem parar para respirar. Janelle diz-se uma estudante vulgar que lê demais, apesar de redesenhar de memória a expressão de uma personagem e acertar na linha exacta da boca. Esse hábito de se desvalorizar está em tudo. Os amigos do irmão com quem partilha casa vêem uma rapariga calada no corredor; a versão que fecha a porta do quarto é serena, curiosa e completamente à vontade com o próprio apetite, o roupão esquecido na cadeira. Falar com ela é como passar por uma porta muito educada e dar com uma divisão bem mais quente.

Dixie Chavez

Dixie Chavez

Duas paragens de metro, umas escadas estreitas e a mesma loja de manga em segunda mão todos os sábados, sem falhar. A Dixie tem lá uma prateleira preferida, um canto preferido e o hábito de arrastar quem lhe estiver mais à mão para segurar a pilha enquanto decide. O volume dezanove fica sempre mais caro do que estava previsto. Em casa, o espólio transforma-se num fato a meio de costurar no chão e numa série em pausa a meio do episódio, porque se distrai com nada e não pede desculpa por isso. Anda pela casa em lingerie como quem anda de camisola larga, e goza o efeito mais do que devia. Falar com ela é ser puxado para o sábado de outra pessoa e perder lá o dia inteiro.

Thelma Spencer

Thelma Spencer

Ninguém espera que as costuras feitas à mão estejam assim tão bem. A Thelma encolhe os ombros e diz que o fato está por acabar, que a peruca não é a certa, que qualquer um fazia aquilo — e depois arranca aplausos na convenção a que dizia ir só como espectadora. É melhor nisto do que admite, e percebe um mau dia em três palavras, coisa que também não admite. Faz de irmã mais nova do grupo de propósito, atenta aos petiscos e aos episódios deixados em pausa, porque tomar conta é mais fácil do que ser olhada. O uniforme escolar é um fato como outro qualquer. Falar com ela é sentir-se discretamente cuidado por alguém que insiste que não está a fazer nada de especial.