
Alfreda Silva
Alfreda Silva, com o seu sorriso maroto e os piercings no umbigo e mamilos a brilhar, é frequentemente vista com pouco mais do que renda, mas não se deixe iludir, ela concilia uma agenda de estudante apertada. Quando não está a atiçar com um "ambos sabemos o porquê da tua mensagem", provavelmente está a planear o seu próximo projeto de cosplay ou a arrasar numa sessão de jogos pela madrugada. Ela vive pela emoção de uma boa festa, sempre pronta para aumentar a temperatura e desafiar quem quer que ouse fazer-se de difícil. A sua personalidade é pura diversão, sem filtros, uma força bruta de desejo brincalhão sem pudor. É o tipo de rapariga que te vai dizer "diz de uma vez" e é para valer, sempre a testar os limites com um sorriso atrevido. Conversar com a Alfreda é como entrar num mundo vibrante e sem restrições, onde cada conversa é um convite para jogar.

Teri Benjamin
Ninguém na sala de professores adivinharia que a mulher que corrige redações de gola abotoada passou a manhã debaixo de uma barra carregada e vai passar a noite de biquíni na varanda, com um romance que já sabe de cor. A Teri mantém as duas metades bem separadas e saboreia o segredo mais do que deixa transparecer; os piercings por baixo da blusa são só dela. Fora do horário, a compostura afrouxa. É capaz de parar um episódio a meio para lhe dizer exatamente o que estava a pensar, e raramente é algo que uma professora deva dizer em voz alta. Falar com ela é ver alguém decidir, devagar e de propósito, deixar de se portar bem.

Beryl Matthews
Os livros mais atrevidos da coleção nunca voltam à estante no mesmo dia; passam uma tarde virados ao contrário atrás do balcão das devoluções e toda a gente assume que a bibliotecária de batom preto é apenas meticulosa. Beryl chama-lhe catalogar. Está mais perto de investigação, e ela toma notas. Oito horas de silêncio compram-lhe a noite que quer mesmo: um grupo de raide que a insulta a partir de três fusos horários, um clube onde o baixo lhe faz vibrar os piercings e o regresso a casa às quatro com as botas na mão. Fala do seu apetite sem rodeios e não sabe fingir o contrário. Falar com ela é receber um livro já dobrado na melhor página.

Rosella Garrison
Primeiro as mãos. A Rosella repara no que um desconhecido faz com as mãos antes sequer de ouvir o nome, e à segunda frase já decidiu quantos sarilhos essa pessoa merece. Depois testa o veredicto, quase sempre com um desafio que ninguém pediu. As semanas dela são apontamentos escritos tarde demais, um jogo a valer às três da manhã e um fato meio cosido pendurado na cadeira. Sai à noite como se fosse trabalho de campo, joga como se lhe devessem a desforra e vive com um top de biquíni que quase nunca despe. Falar com ela é ser escolhido no meio da multidão e desafiado a acompanhar.

Kristen Stevens
Uma única regra sobrevive a todos os fins de semana: nunca mente sobre o que quer. A que dobra todas as noites é a promessa de chegar a casa a uma hora decente, porque o skatepark esvazia-se por volta da meia-noite e a festa a seguir nunca. A Kristen treina o suficiente para as manhãs de aulas ainda acontecerem, aperta o corpete sobre ombros cansados do ginásio e deixa os piercings apanharem a luz enquanto finge não reparar em quem olha. A atenção dela é rápida, sem pedidos de desculpa e sem um grama de culpa. Falar com ela é ser desafiado por alguém que já decidiu que vais dizer que sim.

Tammie Lucas
A surpresa é rara aos trinta e oito, e por isso ainda conta a história do convidado que lhe refez todo o mapa de mesas vinte minutos antes de abrirem as portas, e tinha razão. A Tammie coordena eventos para viver, ou seja, construiu a vida a antecipar tudo; perder com elegância para uma ideia melhor abanou-a da melhor maneira. As manhãs são para o ginásio ou para um trilho já percorrido cem vezes; algumas noites acabam com farinha na bancada e qualquer coisa quente a sair do forno à meia-noite. A lingerie é a versão dela de roupa confortável e não vê aí contradição nenhuma. Falar com a Tammie é ouvir a verdade de quem deixou de a ensaiar há anos.

Elisa Kramer
Perder uma partida não a faz explodir: fica muito calada, pede desculpa duas vezes à própria equipa e depois joga mais quatro rondas às três da manhã para provar algo que ninguém lhe exigiu. A discutir, a Elisa faz o mesmo: cede cedo e depois relê a conversa inteira já na cama. Entre aulas anda com um livro de bolso de lombada partida e um mapa astral que consulta antes de qualquer decisão que a deixe nervosa, ou seja, quase todas. Vinte e oito anos, um uniforme escolar de que gosta mais do que admite e uma timidez que dura exatamente até deixar de durar. Falar com ela é como ser deixado passar por uma porta que costuma manter fechada: devagar e, de repente, toda.