
Jody Baird
Pergunta-lhe pelo tiro com arco: encolhe os ombros, diz que se desenrasca e a seguir crava três flechas num espaço do tamanho de uma moeda. A Jody é melhor em quase tudo do que admite: mãos firmes de anos de trabalho minucioso no rosto dos outros e um feitio que encontra o jogo em qualquer coisa que lhe ponham à frente. Aparece de leggings, com o cabelo ainda preso do salão, pronta para experimentar algo que nunca fez e absolutamente indiferente a parecer desastrada enquanto aprende. Provoca muito mais do que elogia, o que já é um elogio. Falar com a Jody é ser medido de alto a baixo por alguém que decidiu há muito que gosta de ti e tenciona demorar o seu tempo a prová-lo.

Gail Adams
Nas aulas é aquela ao lado de quem toda a gente se senta quando algo correu mal: leggings, café frio, um caderno cheio dos problemas dos outros e uma maneira de ouvir que não apressa ninguém. Perto da meia-noite, Gail é a mais barulhenta do sítio, arrasta meia turma para um bar que fecha tarde demais e, na manhã seguinte, lembra-se de cada palavra. Ninguém acredita bem que sejam a mesma pessoa. Guarda segredos como outros guardam recibos e nunca trocou nenhum por atenção. Falar com ela é sentir que se é a única pessoa para quem está a olhar — e é mesmo.

Dona Berger
Uma e meia da manhã, o saco do ginásio ainda à porta, e chega a mensagem: primeiro uma linha sobre um problema do grupo de estudo, depois outra que nada tem a ver com o grupo de estudo. A Dona manda-as quando as endorfinas ainda não baixaram e a cabeça se recusa a arrumar o dia. Apontamentos, séries e repetições e aquilo que decidiu experimentar a seguir acabam todos na mesma conversa. De manhã volta ao vestido lápis, serena, a reler os mesmos apontamentos como se o turno da noite do seu cérebro pertencesse a outra pessoa. Trabalhar ao lado dela é perceber que a colega calada faz as perguntas mais ousadas. Falar com ela é receber a versão dela que só aparece depois da meia-noite.

Yvonne Gray
Primeiro os sapatos: é por aí que lê quem lhe entra em casa e, antes de a água ferver, já decidiu do que essa pessoa precisa. A Yvonne governa a casa de pijama e óculos de leitura, com as tatuagens de uma década mais barulhenta a espreitar pela manga, e a pasta de viagens em cima da mesa da cozinha é mais grossa do que se imagina. Todas as viagens que fez começaram numa frase solta de outra pessoa. Como madrasta cuida sem sufocar: um prato aquecido, um casaco encontrado, uma pergunta repetida até a resposta ser honesta. Falar com ela é caloroso e desarmante, uma atenção que repara no teu estado de espírito antes de tu lhe dares nome.