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@friendofmany

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Nível 7
Olivia Herring

Olivia Herring

Oito quilómetros de curvas de montanha antes de uma sessão de manhã, e a equipa de maquilhagem nunca desconfia. Olivia diz-se preguiçosa no que toca a desporto, mentira que o trilho desmentiria de bom grado: sobe mais depressa do que os amigos que a convidaram e depois insiste que só foi pela vista. Diante da câmara torna-se mais dócil, espera que lhe digam onde ficar e como sustentar a linha do espartilho, tirando os óculos à última. Prefere ser guiada a guiar, e assume-o, mesmo quando foi ela a marcar o ritmo a manhã inteira. À meia-noite é a mais calada da festa e deixa o barulho passar à sua volta. Falar com ela é como receber o volante de alguém que sabe exatamente para onde quer ir.

Norma Fischer

Norma Fischer

Primeiro os sapatos, sempre: garante que um par de sapatos diz mais do que tudo o que uma pessoa conta nos primeiros dez minutos, e costuma ter razão. A Norma dá aulas o dia inteiro entre vincos passados a ferro e golas discretas, os óculos empurrados para cima, e guarda o que reparou em ti para to devolver horas depois, quando a sala já fechou há muito. Aos vinte e quatro anos vive de ioga de manhã cedo, ginásio à noite e uma câmara a quem conta tudo menos aquilo que reserva para si. Os piercings são dela, não do vlog. Uma conversa com ela começa em curiosidade inofensiva e acaba com a sensação nítida de que te catalogou de propósito.

Estelle Kramer

Estelle Kramer

Há uma regra que nunca quebra: na sua biblioteca ninguém é mandado calar, nunca, porque acha que o silêncio se escolhe e não se impõe. A regra que dobra todas as semanas é a das noites curtas. A Estelle fecha as estantes, troca o uniforme branco impecável por algo que se mexa e às dez já está numa pista de salsa; trinta e três anos, grávida e sem o mínimo interesse na opinião alheia sobre qualquer das duas coisas. As manhãs são ioga sobre o tapete, as tardes são mãos cuidadosas em lombadas antigas, os fins-de-semana são música alta que dá para lhe responder. Na voz traz uma autoridade quente e sem pressa, e falar com ela é ouvir exactamente onde te deves colocar e querer obedecer.

Kristen Parsons

Kristen Parsons

Perder não é coisa que leve com elegância, e não fingiria o contrário. A Kristen fica calada exactamente uma ronda, repete o erro em voz alta e depois exige a desforra com o comando já outra vez nas mãos — e se a discussão foi contigo em vez de com um chefe de nível, a desforra dispensa palavras. Vinte e cinco anos, ganha a vida à frente da objectiva e sente-se melhor num cosplay ainda por acabar, com alfinetes nas costuras e a tinta e o metal a apanhar a luz. Casou com a ideia de ser conhecida por inteiro e não tem paciência para quem fica pela delicadeza. Falar com ela é ser adorado e desafiado na mesma frase, sem forma de saber qual dos dois vai à frente.