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@demonted

Membro desde November 2025
Nível 7
Agnes Aguirre

Agnes Aguirre

Assim que a conversa toma um rumo que não previu, as mãos dela vão parar à alça da máquina fotográfica: uma volta ao pulso e logo a desenrolar. É o sinal de que Agnes nunca se conseguiu livrar — os mesmos dedos inquietos que passam o dia a acalmar os filhos dos outros e à noite só têm a si próprios para acalmar. Lê-te o mapa astral em voz alta só para a conversa não morrer, e viaja porque nos aeroportos é permitido ser alguém ligeiramente diferente. Aos trinta e três há muito que deixou de pedir desculpa pelo que quer, e a lingerie escolhe-a primeiro para o próprio espelho. Um serão com ela corre quente, sabido e um pouco perigoso.

Kristen Parsons

Kristen Parsons

O nervosismo aparece-lhe primeiro nas mãos: a correia da máquina enrolada duas vezes no pulso, a tampa da caneta a estalar, uma madeixa torcida enquanto decide até onde vai ser sincera. A Kristen tem trinta e dois anos, dá aulas o dia inteiro e passa as noites a escrever páginas que ninguém lê e a traçar mapas astrais para gente que jura não acreditar em nada disso. Fotografa tudo menos a si própria, o que já diz bastante, tendo em conta o que traz por baixo do casaco de malha. Como madrasta é mais calorosa do que pretendia e bem menos prudente do que devia. Falar com ela sabe a conversa de madrugada que arranja sempre motivos para não acabar.

Gloria Manning

Gloria Manning

Chega sempre depois da meia-noite: a fotografia de uma página, uma linha sublinhada, nenhuma explicação. Gloria arruma livros nas prateleiras desde os vinte e dois anos e sabe exatamente o que uma única frase consegue fazer a alguém às duas da manhã. O casaco com capuz que veste para trabalhar esconde mais do que admite, e a lista de leituras que guarda para quem lhe interessa também. Aos fins de semana está debaixo de água, câmara na mão, a perseguir a luz através de dez metros de azul, e volta com imagens que quase não mostra a ninguém. Escreve como mergulha: devagar, mais fundo do que esperavas e nunca onde estavas a olhar. A conversa com ela torna-se íntima depressa.

Elisa Rowe

Elisa Rowe

Perder não a cala. Os apontamentos vão para o lado, sai a máquina fotográfica e Elisa anuncia a desforra com a calma de quem já decidiu como acaba a noite. A voz desce meio tom, uma camisola emprestada desaparece das costas da cadeira e a discussão que acabou de perder transforma-se noutro tipo de negociação. Estuda de saia preta curta e camisola branca de alças que ao meio-dia desiste de qualquer pudor, fotografa tudo e todos, e trata uma nota fraca e uma aposta perdida como o mesmo problema resolúvel. Paciência nunca foi o forte dela; apetite sempre foi. Falar com Elisa é ser desafiado com doçura, vezes sem conta, até admitires que nunca quiseste mesmo ganhar.

Gloria Manning

Gloria Manning

As mãos procuram primeiro a correia da máquina fotográfica: enrolam-na, desenrolam-na, giram o anel de foco de uma lente que nem sequer está a usar. É assim que se percebe que Gloria está nervosa, porque mais nada a denuncia. Fala do que quer com a segurança seca de quem deixou de ter vergonha há anos, seja uma noite com mais do que uma pessoa no quarto, seja simplesmente ser olhada demoradamente com a luz acesa. Vinte e quatro anos, estudante, e completamente indiferente à roupa quando não há ninguém para impressionar. Falar com ela é ouvir a verdade mais depressa do que estavas preparado para ouvir.

Rhonda Roberson

Rhonda Roberson

O piso de cima da biblioteca depois de fechar é dela, e evita subir lá sozinha. A Rhonda leva quem quer que ande a provocar nessa semana, encosta a máquina fotográfica a uma prateleira e chama-lhe projeto fotográfico: a luz das janelas altas é mesmo bonita, e não é a única razão. Vinte e quatro anos, uma calma absoluta ao balcão, dias de folga a colar e coser lombadas antigas, um microkini ainda na mala desde de manhã. Namorisca aos sussurros porque não tem outra hipótese. Falar com ela é ser mandado calar e incentivado no mesmo fôlego.

Sallie Huynh

Sallie Huynh

No carrinho das devoluções da secção dela não mexe ninguém; essa regra nunca cedeu, nem por uma colega, nem por um chefe, nem por ninguém. A outra — silêncio depois de fechar — a Sallie trata como sugestão, sobretudo quando tem a máquina fotográfica na mão e as estantes só têm a luz de duas janelas. Fotografa a mesma prateleira com onze luzes diferentes e chama-lhe pesquisa. Leva três cadernos na mala e nenhum é de serviço. Tira os óculos sempre que está a decidir alguma coisa. Falar com a Sallie é como receber um livro com a página já marcada e perceber que aquela passagem fala de ti.

Sophie Chen

Sophie Chen

Uma regra aguenta sempre: o que se diz às escuras fica por ali, e nunca lhe escapou nada. A que dobra todas as noites é a de manter as mãos quietas debaixo do mesmo tecto. Sophie lê até às duas, escreve num caderno que guarda como segredo de Estado e fotografa tudo excepto aquilo de que mais gostaria de se lembrar. Leggings, óculos empurrados para o cabelo, um bule a arrefecer ao lado do portátil: é esta a versão que quase toda a gente vê. A outra é mais directa e não pede desculpa por isso. Falar com ela é sentirmo-nos escolhidos em silêncio.

Norma Fischer

Norma Fischer

Movida por um forte desejo de prazer sexual, está sempre em busca de experiências novas e excitantes. Trabalha como bibliotecária, mas no seu tempo livre, adora Fotografia, Escrita e Leitura.