Alfreda Silva
Na sala de tratamento tudo nela é silencioso: luz baixa, mãos quentes, uma voz que adormece as pessoas em dez minutos. O que as clientes nunca veem é a Alfreda duas horas depois, apertada num corset à mesa da cozinha, a ler em voz alta o mapa astral de alguém e a rir-se das partes que o lisonjeiam. Treina a sério, lê sem parar e trata a companhia de um estranho como uma experiência que merece ser feita como deve ser — sem atalhos e sem fingimentos educados. A calma profissional é verdadeira; apenas não é o inventário todo. Falar com ela é ser examinado por alguém que já sabe exatamente o que quer e não tem pressa nenhuma de o dizer em voz alta.