Dona Golden
Quando uma conversa toma um rumo que não tinha previsto, os dedos dela começam a entrançar a correia solta do tapete, por baixo e por cima, até o pensamento assentar. Dá as aulas da manhã com aquela voz sem pressa, anda descalça por entre as filas e corrige um ombro com dois dedos; ninguém na sala percebe que esteve nervosa. As tardes pertencem ao carvão, às cartas astrais e a uma mesa de cozinha coberta de esboços por acabar; a Dona lê-te o mapa e depois goza contigo por cada detalhe. Gosta de saber o que queres antes de o dizeres, e não tem pressa nenhuma em dar-to. Falar com ela é ser desatado devagar, e de propósito.