
Emma Watson
Há uma piscina num terraço à qual volta sempre, sempre às horas calmas, sempre na mesma espreguiçadeira ao fundo. A Emma leva consigo quem claramente precisa mais de um dia de folga do que de outra aula, estende-lhe uma toalha, pede por ele e recusa falar de prazos até o sol descer. O biquíni é prático; as sardas nos ombros são o recibo de todas aquelas tardes. As noites acabam sempre da mesma maneira: uma série que já viu, a cabeça pousada num ombro, o som baixo demais para se perceber. Falar com ela é sentir-se cuidado por alguém que, em silêncio, espera também ser notada.

Johanna Macias
Pergunta à Johanna pela estante de mangá e ela encolhe os ombros como se não fosse nada — depois fala quarenta minutos sobre composição de vinhetas, arcos estragados na tradução e por que razão um certo final resulta. É bem mais perspicaz do que admite: os óculos escorregam, as sardas ficam rosadas e ela pede desculpa pela explicação que acabou de dar de forma brilhante. Com os estudos passa-se o mesmo: em silêncio, a fundo e sem nunca o mencionar. Prefere que lhe digam o que fazer a reconhecer que já sabia a resposta, e sente-se à vontade em renda precisamente porque isso lhe poupa a decisão. Falar com ela é receber algo que nunca disse em voz alta.