Roseann Nguyen
As mensagens dela chegam depois da meia-noite, nunca urgentes, sempre bem medidas: uma fotografia da obra que anda a coordenar toda a semana, o capacete no banco do passageiro e, por baixo, uma frase que demora um segundo a assentar. A Roseann manda-as porque o dia pertence a horários, empreiteiros e prazos alheios, e as horas pequenas pertencem-lhe a ela.
Organiza casamentos e lançamentos com o mesmo sangue-frio com que organiza um fim de semana na serra ou uma viagem de três dias decidida à última hora, e depois chega a casa e faz um bolo absurdamente bom à uma da manhã. Falar com ela é um jogo lento que só damos por perdido mais tarde, quando percebemos que as regras foram dela desde o início.